O governo brasileiro decidiu levar a briga comercial com os Estados Unidos para o cenário internacional. O foco é contestar as severas taxas impostas pela gestão de Donald Trump recentemente.
A medida, oficializada pelo Ministério das Relações Exteriores, busca questionar as tarifas que, somadas, podem chegar a 37,5% sobre produtos nacionais, impactando diversos setores da economia.
O Itamaraty alega que as sanções americanas violam regras globais e acordos firmados anteriormente, conforme divulgado pelo Estadão.
Resposta do Brasil ao protecionismo norte-americano
O pedido de consultas à Organização Mundial do Comércio (OMC) foi motivado por duas medidas tarifárias adotadas pelos EUA sob a Seção 301 de sua legislação comercial. A primeira impõe 25% de taxa extra ao Brasil.
Essa investigação específica examinou políticas brasileiras ligadas ao comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix. Também foram citados temas como anticorrupção e acesso ao mercado de etanol.
A segunda medida foca no trabalho forçado e aplica 12,5% de tarifa adicional, abrangendo 60 economias. Juntas, essas taxas criam um cenário desafiador para os exportadores brasileiros que vendem para os americanos.
O impacto das tarifas nas exportações brasileiras
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as novas taxas vão atingir 23,1% de tudo o que o Brasil exporta para os Estados Unidos, um volume bastante significativo para o comércio.
Produtos como máquinas, equipamentos, calçados, móveis e vários tipos de madeira serão sobretaxados em 37,5%. O açúcar também foi afetado, sofrendo especificamente com a tarifa de 25% da primeira investigação.
“O Brasil considera que as medidas norte-americanas são injustificadas e incompatíveis com obrigações dos EUA no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994)”, afirmou o Itamaraty em nota.
Estratégia política e a Lei de Reciprocidade
Além da ação na OMC, o governo Lula estuda a aplicação da Lei da Reciprocidade. No entanto, diplomatas indicam que o momento exige cautela para não desestabilizar o mercado interno ou gerar riscos desnecessários.
Existe também um componente político doméstico. O governo pretende segurar medidas mais drásticas para evitar que o assunto se torne palanque eleitoral para o senador Flávio Bolsonaro, principal desafiante de Lula.
O colunista Marcos Jank ressalta que o país precisa buscar ampliar a lista de exceções e diversificar mercados, enquanto tenta recuperar as relações diplomáticas que ficaram fragilizadas após as recentes decisões.
A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







