Imagine descobrir que a riqueza real da sociedade aumentou quase quatro vezes mais do que os livros de história e as estatísticas oficiais contam. Um novo estudo sugere que o avanço no padrão de vida foi subestimado por décadas.
A pesquisa indica que a evolução técnica transformou itens básicos em ferramentas potentes, o que nem sempre é captado pelos índices de preços comuns, gerando uma falsa sensação de inflação alta e crescimento baixo.
O levantamento detalha como essa percepção equivocada altera o cálculo do PIB e da produtividade global ao longo de quase um século, conforme divulgado pelo Estadão.
A revolução invisível na qualidade dos produtos e o impacto na economia
Basicamente, um produto pode aumentar de preço porque ficou melhor, e não por causa da inflação, e essa melhora dos produtos não é devidamente captada nos índices de preços, explicam os pesquisadores do estudo.
Assim, a inflação efetiva de um período pode ser muito menor do que a oficial, o que significa que o PIB real é maior. O trabalho inverte a visão de que o crescimento se acelerou apenas no pós-guerra.
A análise profunda de milhões de produtos históricos
Economistas do MIT utilizaram inteligência artificial para analisar 5,1 milhões de itens em catálogos históricos da varejista Sears entre 1900 e 1990, criando um novo índice de medição econômica.
Enquanto os dados tradicionais apontavam um crescimento de 10,3 vezes no consumo, a nova métrica, ajustada pela qualidade dos produtos, revelou um salto impressionante de 39 vezes no mesmo período avaliado.
O exemplo claro da evolução tecnológica cotidiana
Os pesquisadores Verónica Bäcker-Peral e Benjamin Wittenbrink notaram que um refrigerador em 1900 era apenas uma caixa de madeira com gelo, bem diferente dos modelos elétricos modernos de poucas décadas depois.
Essa diferença técnica justifica o preço, mas os índices antigos tratavam o aumento apenas como custo de vida. Nos anos 30, o item já possuía congelador, mudando radicalmente o padrão de vida das famílias.
A realidade da produtividade e o cenário no Brasil
O economista Bráulio Borges alerta que, no Brasil, o PIB ainda é calculado tratando volume apenas como quantidade bruta, sem considerar adequadamente os ganhos tecnológicos que ocorrem nos itens.
Segundo ele, é meio injusto comparar o comportamento da produtividade brasileira com a americana, porque no Brasil não existe nenhuma incorporação de ganho de qualidade nos índices de preço, o que subestima o produto.
Fonte original: Estadão







