A busca por antecipar tendências no mercado financeiro é uma prática constante entre os analistas da Faria Lima. De cartomantes a economistas, o desejo de prever o amanhã move bilhões.

No entanto, os resultados recentes mostram que essa bola de cristal não tem sido tão precisa quanto o esperado. Muitos fundos multimercados estão entregando rendimentos abaixo do que se imagina.

O cenário levanta dúvidas sobre a eficácia das projeções usadas até pelo Banco Central para definir os juros e os rumos da economia nacional, conforme divulgado pelo Estadão.

O desafio dos gestores frente ao rendimento da Selic

Para os gestores de fundos multimercados, a regra do jogo parece simples, comprar o que deve subir e vender o que deve desvalorizar. Mas, na prática, essa estratégia tem enfrentado obstáculos.

O IHFA, índice que mede a performance desses fundos, mostra resultados menos que espetaculares. Eles perdem da Selic em períodos de 12, 24, 36 e até 60 meses, o que gera preocupação no setor.

Além do retorno baixo, o risco desses fundos é cerca de 25 vezes maior que o da taxa básica de juros. Esse cenário levou a saques que alcançaram a marca de R$ 59 bilhões no ano passado.

A inflação como profecia autorrealizável

O Banco Central recorre ao mercado para coletar previsões de inflação que guiam a Selic. A ideia é que, se empresários esperam inflação alta, eles podem elevar preços de forma preventiva agora.

Essa lógica de meta de inflação supõe que os juros podem influenciar essas expectativas. Contudo, especialistas apontam que os analistas nem sempre sabem qual será o IPCA em prazos longos.

O papel limitado das expectativas de mercado

Muitas vezes, as empresas não possuem poder de mercado para impor suas expectativas de preços. Para tentar entender melhor esse cenário, o Bacen criou a pesquisa Firmus, que ouve as empresas.

Ainda assim, a pesquisa é trimestral e abrange um número reduzido de companhias. Isso demonstra que a própria autoridade monetária parece acreditar que o papel das expectativas é limitado.

Mudanças recentes na condução dos juros

Desde o fim do ano passado, as previsões para o IPCA de 2026 subiram de 4% para 5,3%. Mesmo com essa alta nas projeções, a Selic sofreu três cortes consecutivos recentemente.

Essa movimentação sugere um reconhecimento de que o futuro não pode ser totalmente previsto. O mercado financeiro agora observa como essas divergências afetarão os próximos passos da economia.

O artigo original foi publicado pelo Estadão e pode ser acessado na íntegra através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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