O interesse dos Estados Unidos no sistema de pagamentos brasileiro

O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, ganhou destaque internacional em uma audiência pública promovida pelo governo dos Estados Unidos nesta semana.

Representantes do Departamento do Tesouro americano questionaram especialistas sobre as vantagens dessa tecnologia e como a maior economia do mundo poderia se beneficiar da ferramenta.

O debate ocorre em um momento de tensão comercial, onde práticas brasileiras estão sob investigação rigorosa por parte do escritório comercial americano, conforme divulgado pelo Estadão.

O impacto tecnológico do Pix no cenário global

Gustavo Pessoa, professor da FGV, explicou que o Pix se destaca pela rápida absorção pela população e empresas brasileiras, sendo um modelo tecnológico que os EUA devem acompanhar de perto.

O especialista participou da audiência de forma independente e argumentou que, como o maior centro financeiro do Ocidente, os americanos precisam absorver e acompanhar esse tipo de inovação digital.

Durante sua fala, ele destacou que o sistema é uma realidade inevitável, afirmando que “é um tipo de tecnologia que não dá para você segurar ou voltar atrás”, reforçando o sucesso do Banco Central.

Benefícios para empresas americanas que atuam no Brasil

O executivo Vinicius Nunes Pinto ressaltou que o Pix já beneficia gigantes americanas de streaming e e-commerce ao reduzir custos de transação significativamente em relação aos cartões tradicionais.

Segundo ele, o dinheiro que antes era gasto com taxas agora permanece nas empresas, permitindo que mais brasileiros tenham acesso aos produtos de plataformas como marketplaces e serviços de transporte.

Pinto defendeu que haja um diálogo contínuo entre o Federal Reserve e o Banco Central do Brasil para uma integração dos sistemas de pagamento, o que traria benefícios mútuos para os dois mercados.

Tensão comercial e ameaça de sobretaxas

Apesar do interesse no Pix, os EUA acusam o Brasil de práticas anticoncorrenciais e sugeriram sobretaxas de até 25% sobre produtos nacionais, exceto para a maioria do setor agropecuário.

A investigação americana avalia questões de propriedade intelectual e comércio digital, com uma decisão final prevista para o dia 15 de julho, o que gera grande incerteza no setor produtivo nacional.

Entidades dos dois países tentam barrar as tarifas, argumentando que a medida pode elevar a inflação para o consumidor norte-americano e prejudicar a criação de empregos nos próprios Estados Unidos.

Expectativas para os próximos passos da investigação

O segundo dia de audiência promete ser mais intenso com discussões sobre trabalho forçado e a participação do senador Flávio Bolsonaro, além de entidades como a CNI e a associação de calçadistas.

O governo brasileiro enviou documentos oficiais para a consulta pública, mas não terá representantes realizando sustentações orais, mantendo apenas ouvintes da embaixada presentes nas sessões técnicas.

A decisão americana sobre a Seção 301 pode incluir uma nova tarifa de 12,5% envolvendo diversos países, o que mantém o setor industrial brasileiro em estado de alerta máximo para os próximos meses.

A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e pode ser lida na íntegra em: https://www.estadao.com.br/economia/tesouro-eua-pix-audiencia-tarifas-trabalho-forcado/

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