O avanço acelerado da tecnologia traz consigo promessas de produtividade, mas também esconde armadilhas financeiras perigosas. O foco excessivo em inovação tem ignorado o volume de crédito tomado para sustentar essa expansão.
Raghuram Rajan, economista que previu a crise de 2008, agora aponta que o financiamento da Inteligência Artificial pode repetir erros do passado. Para ele, a euforia atual mascara vulnerabilidades estruturais graves.
Rajan alerta que muitos ativos ligados ao setor estão com preços irreais, criando uma pressão desnecessária sobre o sistema financeiro global e os bancos tradicionais, conforme divulgado pelo Estadão.
A armadilha da dívida na Inteligência Artificial
O uso de crédito para financiar empresas de tecnologia e infraestrutura de dados preocupa Rajan. Ele afirma que “o uso crescente de dívida para financiar infraestrutura e empresas de inteligência artificial pode estar criando os problemas do futuro”.
Além disso, o economista observa que o entusiasmo com a tecnologia elevou o valor de mercado de certas companhias a níveis questionáveis. Para ele, alguns ativos do setor “parecem excessivamente valorizados” no cenário atual.
Populismo e o risco da dominância fiscal
Outro ponto crítico levantado é a união entre governos populistas e o alto endividamento público. Rajan explica que ninguém deseja defender a austeridade, pois essa é uma forma quase garantida de perder as próximas eleições.
Segundo o professor, se a dívida pública entrar em colapso, os bancos sofrerão o impacto direto, já que carregam muitos títulos soberanos. “A combinação entre populismo e elevados níveis de endividamento é bastante perigosa”, ressalta.
A independência necessária dos bancos centrais
Rajan defende que as instituições monetárias mantenham firmeza diante de pressões políticas. Ele cita que seguiu conselhos de Armínio Fraga, ex-presidente do BC brasileiro, focando na inflação para estabilizar a economia da Índia.
Para o economista, o Banco Central deve ser claro sobre seus objetivos, mesmo que reduza orientações futuras. Ele enfatiza a importância de explicar por que as ações adotadas são consistentes com as metas de inflação estabelecidas.
Setor financeiro não bancário e novos desafios
O crescimento das instituições financeiras não bancárias também está no radar. Como esses órgãos ocuparam espaços deixados por bancos tradicionais, eles podem esconder alavancagens muito maiores do que o mercado financeiro imagina.
Rajan menciona ainda o valuation de empresas como a SpaceX, baseados em expectativas grandiosas. Ele questiona se tais valores são justificáveis ou se são apenas sonhos depositados na capacidade de entrega de nomes como Elon Musk.
A fonte original é o Estadão e a matéria completa pode ser lida em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







