A Faria Lima, coração financeiro do Brasil, está no centro de uma nova polêmica envolvendo a gestão de recursos bilionários e suspeitas de irregularidades em série no mercado.

Um grupo formado por ex-executivos de empresas liquidadas está operando fundos que teriam sido usados para ocultar prejuízos e inflar balanços de grandes corporações nacionais.

O esquema atinge desde bancos ligados a líderes religiosos até gigantes do setor de sustentabilidade em crise, conforme divulgado pelo Estadão.

Entenda como a nova Reag opera fundos controversos sob investigação da Polícia Federal e Justiça

O esquema para ocultar prejuízos no Banco Digimais

A ID CTVM, gerida por Rodrigo Balassiano e Roberto Giancoli Filho, é investigada por usar fundos suspeitos de fraudes para maquiar rombos financeiros no banco Digimais, de Edir Macedo.

Segundo a Polícia Federal, esses fundos foram utilizados para esconder dados sobre R$ 3 bilhões investidos, comprando direitos creditórios por valores inflados para beneficiar a holding controladora.

Em um dos casos, recebíveis de R$ 71 milhões foram reavaliados para R$ 741 milhões. O Digimais afirma que “permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos”.

A polêmica dos balanços inflados da Ambipar

Outro alvo de denúncias é o fundo ligado à Ambipar, empresa de sustentabilidade em recuperação judicial com dívidas de R$ 10,5 bilhões, que teria usado o Banco Master para inflar números.

O Bradesco denunciou que a Ambipar alocou mais de metade de seu caixa no fundo Fênix, gerido pela ID, para ocultar que o dinheiro havia escoado para empresas do próprio controlador.

O banco afirmou no processo que é “chegada a hora, porém, de abrir a caixa preta da Ambipar”, visando responsabilizar os agentes que contribuíram para o esvaziamento do patrimônio da sociedade.

Gestão na Itália e as assinaturas de fachada

Um detalhe curioso descoberto pelo Estadão envolve Antonella Giancolli, irmã de um dos donos da ID. Morando na Itália, ela assinava documentos de dezenas de fundos sem ter qualificação técnica.

Em depoimento à Justiça, Antonella admitiu que não participava da gestão real dos negócios. Ela afirmou categoricamente: “Tudo o que meu irmão pede para assinar eu assino”, revelando a fragilidade da estrutura.

Mesmo sem atuar na diretoria, Antonella é proprietária de uma mansão de R$ 7 milhões onde o irmão reside. A ID alegou que não comenta assuntos pessoais e que o cargo dela foi aprovado pela CVM.

Fraudes reconhecidas no processo de falência da OAS

As empresas do grupo ID também estiveram envolvidas no fundo Zegama, que gerou conflitos na falência da empreiteira OAS. A Justiça reconheceu que houve prática de fraude no uso desses fundos.

O desembargador Grava Brazil destacou que a relação entre ex-dirigentes da empreiteira e o fundo “confirmou a promiscuidade societária”, facilitando a transferência de ativos valiosos de forma irregular.

Sobre o caso de Lélio Carneiro, o juiz Fabiano Bley Franco afirmou que a estrutura configura “ato simulado e fraudulento, com intenção de burlar a legislação tributária, com evidente prejuízo ao fisco”.

A fonte original é o Estadão.

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