O cenário de pagamentos no Brasil está mudando rápido. O cliente vai pagar, mas o vendedor não oferece uma maquininha, e sim o próprio celular como maquininha para concluir a venda com rapidez.

Essa modalidade, conhecida como tap on phone, registrou um crescimento explosivo de 1.188,8% em apenas dois anos no Brasil. O setor já movimenta dezenas de bilhões de reais a cada trimestre.

A tendência reflete a digitalização acelerada dos pequenos negócios e profissionais autônomos, que buscam reduzir custos operacionais, conforme divulgado pelo Estadão.

A ascensão do celular como maquininha no Brasil

A tecnologia que permite que smartphones e tablets aceitem pagamentos por aproximação movimentou R$ 27,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Isso representa uma alta de 114,6% em um ano.

O uso do celular como maquininha é impulsionado pelo crédito, que respondeu por R$ 25,4 bilhões das transações. O débito somou R$ 1,2 bilhão, enquanto o modelo pré-pago atingiu R$ 500 milhões no período.

Até o fim deste ano, a expectativa é de que sejam movimentados R$ 100 bilhões via celular. O valor é expressivo, embora ainda seja uma parte do mercado total de cartões, que deve chegar a R$ 5 trilhões.

Profissionais liberais lideram a adoção tecnológica

Diferente do esperado, o público que mais aderiu à novidade não foi apenas o microcomércio. Profissionais liberais, como médicos, dentistas e personal trainers, são os grandes usuários do sistema.

Segundo Marcos Marins, diretor da Visa, a adoção no Brasil foi diferente de outros países. O sistema caiu como uma luva para quem presta serviços e não queria investir em hardware ou pagar aluguel de aparelhos.

O tíquete médio das compras por essa plataforma no Brasil gira em torno de R$ 400. O valor é muito superior aos R$ 140 registrados em países como Argentina e Peru, devido ao pagamento de consultas e mensalidades.

Vantagens do sistema baseado em software

O grande diferencial do celular como maquininha é ser um sistema baseado em software. Isso elimina a necessidade de carregar fios, baterias extras ou se preocupar com a manutenção física de equipamentos.

Gilmar Hansen, da Recarga Pay, destaca que o celular já faz parte da vida das pessoas. Ele não exige taxa de aluguel e está sempre com o prestador de serviço, facilitando vendas externas e em locais distantes.

A tecnologia NFC, que permite o pagamento por aproximação, já é usada em 75% das compras presenciais no Brasil. Essa maturidade digital do consumidor brasileiro facilitou a migração para o uso dos smartphones.

Convivência entre tecnologias de pagamento

Apesar do crescimento, os especialistas acreditam que não haverá uma substituição total. As maquininhas tradicionais continuam essenciais para estabelecimentos maiores, como supermercados e grandes lojas.

O diretor da Stone, João Misko, defende que a tecnologia se destaca na mobilidade. Ela abre portas para quem antes só aceitava Pix ou dinheiro, ampliando o acesso de autônomos ao mercado de crédito e débito.

Empresas como Stone, PagSeguro, Mercado Pago e PicPay lideram essa oferta. No PicPay, o volume transacionado por essa via cresceu 72,4% apenas nos primeiros meses deste ano, consolidando a nova tendência.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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