A disputa no setor automotivo brasileiro ganhou um novo capítulo com a movimentação estratégica da GM. A montadora apresentou uma proposta ousada ao governo federal para reorganizar as regras de importação de veículos.

O objetivo central é vincular os benefícios fiscais ao volume de produção nacional, buscando equilibrar a concorrência com marcas estrangeiras. A iniciativa surge em um momento de grandes investimentos e mudanças tecnológicas no país.

Essa nova estratégia visa destravar consensos no setor e impulsionar a inovação tecnológica em solo brasileiro, visando um crescimento sustentável da cadeia produtiva, conforme divulgado pelo Estadão.

A proposta da GM para a importação de carros elétricos no Brasil

A General Motors apresentou ao vice-presidente Geraldo Alckmin um plano que busca atrelar os benefícios tributários da importação ao volume de automóveis produzidos pela própria empresa no Brasil. O modelo é inspirado na política adotada no México.

Segundo o vice-presidente da GM América do Sul, Fabio Rua, “A gente tem a prática de sempre propor alguma coisa para tentar destravar qualquer dissenso no setor, que é complexo, mas tem mais convergências do que divergências”.

Na proposta, montadoras que produzissem ao menos 100 mil carros no país e investissem R$ 500 milhões teriam direito a importar com isenção até 20% do total fabricado localmente, estimulando quem gera empregos e investe em pesquisa.

O embate com a BYD e as novas cotas de importação

A discussão ganhou força após a Camex renovar por seis meses a cota de alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD), beneficiando diretamente a chinesa BYD, que opera em Camaçari, na Bahia. A GM critica essa extensão de prazo.

Fabio Rua afirma que “entendemos a posição do governo, mas entendemos que, quando se importa o veículo semipronto, não se usam os fornecedores locais, emprega-se muito pouca gente e não se estimula a tecnologia no Brasil”.

A Anfavea também criticou a medida, alegando que ela contraria os interesses dos trabalhadores e das fabricantes nacionais. A associação vê com preocupação o restabelecimento desses incentivos, que podem impactar investimentos futuros no setor.

Investimento bilionário e modernização industrial no país

A GM anunciou um aporte adicional de R$ 3,5 bilhões, elevando o plano de investimentos no Brasil para R$ 10,5 bilhões até 2028. O foco será na renovação do portfólio e na introdução de novas tecnologias, incluindo modelos híbridos.

O presidente da GM na América do Sul, Thomas Owsianski, destacou que “Este investimento amplia nossa capacidade de desenvolver e produzir veículos competitivos no Brasil, acelera a adoção de novas tecnologias e contribui para a formação de competências”.

As unidades paulistas em São Caetano do Sul, São José dos Campos e Mogi das Cruzes serão as principais beneficiadas. O executivo reforçou que o ambiente favorável é fundamental para o Brasil atuar como polo produtor e exportador da marca.

Padrão americano de segurança como nova alternativa

Outra sugestão da GM é que o Brasil passe a aceitar o padrão de segurança americano para veículos, permitindo a importação de modelos dos EUA. Atualmente, o país segue apenas o protocolo europeu para as homologações de segurança.

De acordo com Fabio Rua, “Isso traria isonomia e, com isso, o Brasil poderia se aproximar dos EUA, e tiraria a pecha de que estaria priorizando a China”. A medida facilitaria a vinda de marcas como Cadillac, GMC e Buick.

A adoção desse padrão não exigiria aprovação do Congresso e poderia servir de moeda de troca em negociações comerciais. Países como Chile e Coreia do Sul já aceitam ambos os protocolos, ampliando a competição e opções ao consumidor.

A fonte original deste conteúdo é o Estadão, que pode ser acessado na íntegra através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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