O governo argentino decidiu reagir formalmente contra a aplicação de medidas de antidumping pelo Brasil sobre o leite em pó importado. O clima de tensão comercial entre as duas nações vizinhas aumentou significativamente nos últimos dias.

A medida brasileira, anunciada pela Camex no final de maio, estabelece sobretaxas para o produto vindo da Argentina e do Uruguai. Autoridades argentinas contestam a decisão e afirmam que os critérios técnicos usados pelo Brasil foram equivocados.

O acionamento da OMC (Organização Mundial do Comércio) é visto como um passo drástico para proteger um dos principais itens da pauta exportadora da Argentina, conforme divulgado pelo Estadão.

O impasse do leite em pó e as medidas de proteção comercial

A insatisfação do governo de Javier Milei se concentra na decisão do Brasil de aplicar direitos antidumping definitivos por até cinco anos sobre o leite em pó. Atualmente, a aplicação está suspensa para análise de impacto nos preços ao consumidor.

A Argentina argumenta que o Brasil errou ao comparar a similaridade entre o leite cru e o leite em pó na investigação. Para os diplomatas argentinos, a decisão não possui sustentação técnica e abre precedentes perigosos para outras disputas.

O Uruguai, que também foi atingido pela medida brasileira, acompanha de perto a movimentação e estuda se juntar à Argentina no questionamento perante a Organização Mundial do Comércio para reverter a taxação.

Ameaça de retaliação e os talheres de aço brasileiros

Diplomatas argentinos afirmam que o reconhecimento de dumping pelo governo brasileiro vai atrapalhar negociações em andamento. Como resposta, a Argentina pode retomar taxas contra produtos brasileiros, como os talheres de aço inoxidável.

Essa sobretaxa de 47%, que atingia grandes fabricantes brasileiras como a Tramontina, havia sido suspensa recentemente. A volta dessa cobrança seria uma retaliação direta à postura do governo brasileiro no setor lácteo.

As medidas de resposta estão sendo analisadas pelos ministérios da Economia e das Relações Exteriores da Argentina. O objetivo é equilibrar a pressão comercial exercida pelo Brasil sobre os produtores do país vizinho.

O impacto econômico na balança comercial do Mercosul

O Brasil é o principal destino do leite argentino, utilizado amplamente pela indústria alimentícia nacional. Os embarques do produto ultrapassaram a marca de US$ 364 milhões, sendo essenciais para a economia da Argentina.

Interlocutores argentinos destacam que a balança comercial entre os dois países já é amplamente deficitária para eles. Enquanto o Brasil exporta produtos de alto valor agregado, como carros, a Argentina depende da venda de commodities.

“É como o caso da carne. Querem resolver a falta de competitividade do produto por manobra comercial”, avaliou uma fonte próxima ao assunto. A crítica foca na tentativa brasileira de proteger produtores locais via barreiras tarifárias.

Conflitos políticos e a disputa por cotas na União Europeia

Para a diplomacia argentina, a medida escala as tensões em um momento de distanciamento entre os presidentes Lula e Milei. Um diplomata afirmou que “Houve um movimento político do governo brasileiro para responder aos produtores em ano eleitoral”.

Além do leite, os países enfrentam atritos pelo acordo Mercosul, União Europeia. Argentina e Uruguai esgotaram rapidamente as cotas isentas de tarifas para arroz e ovos, utilizando o critério de quem registra a exportação primeiro.

Esse movimento frustrou exportadores brasileiros e expôs as falhas operacionais do bloco. A agilidade digital da Argentina permitiu que seus produtores garantissem 100% da cota de ovos, deixando o Brasil em desvantagem no mercado europeu.

A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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