O ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, trouxe reflexões profundas sobre os 30 anos do Copom. Ele destaca que o Brasil precisa de uma postura mais realista sobre os juros.

O economista aponta que a atual meta de inflação de 3% pode não ser sustentável a longo prazo sem mudanças estruturais importantes. Ele sugere que o colegiado deveria ser mais aberto sobre seus modelos.

Werlang relembra os desafios da implementação do sistema de metas e como a comunicação do órgão evoluiu ao longo das décadas, conforme divulgado pelo Estadão.

A trajetória do Copom e os desafios da meta de inflação

Para Werlang, o Brasil deve encontrar o momento adequado para ajustar sua meta de inflação para uma taxa mais compatível com a economia doméstica. Ele afirma que o valor atual de 3% é baixo demais para o país.

Segundo o especialista, “não tem a menor condição de funcionar no Brasil, é baixa demais. Não vai dar”. Ele ressalta, no entanto, que a mudança só deve ocorrer após um ajuste na área fiscal para evitar novos erros.

Influência internacional e membros externos no colegiado

O economista sugere que o Brasil siga o modelo do Banco da Inglaterra, agregando integrantes externos às decisões. Isso ajudaria a evitar um ambiente contaminado pela visão interna exclusiva da diretoria do Banco Central.

Esses membros poderiam vir da academia ou serem profissionais com experiência no mercado financeiro. A ideia é oxigenar as discussões e trazer novas perspectivas para o controle da taxa de juros básica do país.

A importância da divergência nos votos do Banco Central

Werlang destaca que as vozes dentro do BC não precisam ser unânimes. Ele defende que votos divergentes mostram que o colegiado está explicando a realidade, inclusive as dúvidas internas que surgem durante as reuniões.

“Até hoje, as pessoas do mercado não entendem. Não é obrigatório que todo mundo tenha a mesma opinião”, afirma. Ele critica a fase em que os votos nominais pareciam forçar um consenso artificial entre os membros.

Transparência e o futuro dos modelos econômicos

Outro ponto de melhoria seria a divulgação mais sistemática dos modelos usados para embasar as decisões do Copom. Werlang acredita que deveria existir uma publicação periódica, como um manual atualizado dos coeficientes utilizados.

Ele reconhece que o Banco Central já melhorou muito sua comunicação, que era cifrada no início. Hoje, o sistema é considerado um exemplo de instituição útil que respondeu às necessidades de uma economia historicamente instável.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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