O cenário econômico para os próximos anos deve ser marcado por mudanças profundas na gestão do orçamento. Independentemente de quem vença as próximas eleições, o ajuste fiscal será uma prioridade inevitável.
Especialistas apontam que o novo governo terá que lidar com o fim dos estímulos atuais e o desafio de estabilizar a dívida. Esse movimento é visto como essencial para garantir o controle da inflação e a confiança.
Para o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, o próximo presidente terá incentivos para encaminhar um ajuste das contas públicas, conforme divulgado pelo Estadão.
O futuro das contas públicas e os impactos na economia brasileira
No cenário traçado pelo banco, o governo deve lidar com um ciclo político tradicional a partir de 2027. O primeiro ano será focado no ajuste, ao contrário do ciclo atual marcado por gastos turbinados.
Não encaminhar medidas na área fiscal pode fazer com que a administração conviva com um risco latente de piora na percepção dos investidores. Isso pode gerar consequências graves para o crescimento do país.
Ajuste fiscal será inevitável após as eleições
Honorato acredita que, seja qual for o resultado das urnas, haverá um incentivo para o ajuste. Segundo ele, “o convívio com essa incerteza é que pode, em um momento de virada do ambiente global, cobrar um preço caro”.
Esse preço envolveria a aceleração da inflação e a deterioração do câmbio. Além disso, o capital político de quem estiver governando a partir de 2027 estaria sob forte ameaça caso as contas públicas não sejam sanadas.
Desaceleração do PIB e queda da Selic em 2027
Sem os estímulos econômicos atuais, a previsão do Bradesco é de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) desacelere para 1,5% em 2027, abaixo dos 2% previstos para o ano de 2026.
Já a taxa básica de juros deve terminar 2026 em 13,75%. No entanto, em 2027, o ciclo de cortes deve levar a Selic para o patamar de 11%. Honorato afirma que o espaço para cortes é maior que o esperado.
Os perigos da dívida pública crescente
A dívida pública continua em expansão e a combinação atual de juros e PIB não estabiliza o cenário. Deixar essa dívida crescer nos próximos anos é um risco que ameaça diretamente a meta de inflação brasileira.
O economista destaca que um desarranjo macroeconômico maior teria um custo político muito alto. Por isso, a tendência é que o próximo mandato comece com ajustes para, só depois, buscar novos estímulos se houver espaço.
O impacto das incertezas internacionais no Brasil
O cenário global permanece ambíguo, com incertezas vindas dos Estados Unidos e das taxas de juros mundiais. Para o especialista, o principal canal de comunicação com o Brasil é a variação do dólar no mercado.
É fundamental que o petróleo não fique muito acima de 80 dólares. Caso o ambiente mundial se torne mais avesso ao risco, a necessidade de um ajuste fiscal no Brasil se tornará ainda mais urgente e imediata.
A fonte original é o Estadão e a matéria completa pode ser lida em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







