O Brasil possui uma das maiores reservas de urânio do mundo, mas enfrenta um momento crítico na extração desse mineral. A produção nacional vem registrando quedas consecutivas, gerando alerta máximo no setor de energia e infraestrutura.
Atualmente, um decreto estratégico que permitiria a entrada de empresas privadas na mineração de urânio está parado na Casa Civil. A medida é vista por especialistas como a única saída para modernizar as Indústrias Nucleares do Brasil e atrair capital estrangeiro.
Especialistas e parlamentares pressionam o governo federal por agilidade, temendo prejuízos irreversíveis às usinas de Angra e à soberania energética do país, conforme divulgado pelo Estadão.
Desafios e impasses na mineração de urânio no Brasil
Uma minuta de decreto considerada vital para o futuro do setor está em análise na Casa Civil desde fevereiro. O texto, elaborado pelo Ministério de Minas e Energia, busca regulamentar a participação da iniciativa privada na exploração do mineral.
Enquanto o documento não avança, a mineração de urânio segue em declínio. Com reservas estimadas em 276,8 mil toneladas, o Brasil produziu pouco mais de 5 mil toneladas desde 1982, evidenciando uma subutilização histórica do potencial nacional.
O monopólio da estatal e a queda na produção
A estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) detém o monopólio da cadeia mineral no país. Atualmente, as atividades se concentram na Bahia, mas os números são preocupantes. A extração anual, que era de 100 toneladas, deve cair para 76 toneladas em 2025.
Segundo a INB, a redução ocorre devido ao tempo e aos recursos necessários para adequações exigidas por órgãos fiscalizadores. “A redução da produção se dá pelo tempo despendido e aos recursos necessários para implementar as adequações exigidas”, afirma a empresa.
A urgência de investimentos privados no setor
O setor de mineração argumenta que a mineração de urânio sofre com a falta de recursos financeiros para modernização. A entrada de empresas privadas resolveria o problema da escassez de investimentos bilionários necessários para expandir a produção.
Sem novos projetos, equipamentos antigos perdem eficiência e a capacidade de processamento diminui. Isso coloca em risco o funcionamento das usinas nucleares de Angra 1 e 2, que dependem diretamente desse combustível para operar com segurança.
O posicionamento oficial do governo federal
Procurada para comentar a situação, a Casa Civil negou qualquer lentidão na análise do decreto. A pasta informou que o tema faz parte de uma estratégia maior sobre minerais críticos e exige coordenação técnica rigorosa entre diversos órgãos.
“Não procede a interpretação de morosidade. Medidas dessa natureza envolvem coordenação entre órgãos do governo e avaliação de aspectos regulatórios e estratégicos”, declarou a Casa Civil em nota oficial sobre a mineração de urânio.
Pressão parlamentar e o futuro da cadeia nuclear
O deputado Júlio Lopes, presidente da Frente Parlamentar da Tecnologia Nuclear, tenta articular com o governo para acelerar a pauta. Ele acredita que a abertura do mercado é essencial para a retomada de obras importantes, como a usina de Angra 3.
Representantes do setor, como a Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), criticam a letargia regulatória. Para Celso Cunha, presidente da entidade, o novo marco precisa sair do papel para evitar que o Brasil continue dependente de serviços estrangeiros.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a matéria completa através deste link: Estadão | Mineração de urânio cai e abertura ao setor privado trava no Executivo.







