O ministro da Fazenda, Dario Durigan, trouxe à tona uma análise profunda sobre os desafios econômicos do Brasil, destacando que a responsabilidade fiscal não é o único fator que influencia as taxas de juros no país agora.

Durante uma entrevista recente, o secretário executivo enfatizou que existe uma cultura enraizada de rentismo na sociedade brasileira, o que acaba exigindo uma Selic mais elevada para atrair investidores e manter a estabilidade.

Além disso, o ministro abordou a necessidade urgente de equilibrar as contas públicas com a justiça social, visando um crescimento sustentável nos próximos anos, conforme divulgado pelo Estadão.

Fiscal importa, mas não é a única causa dos juros altos, diz Durigan

A cultura do rentismo e o mercado de câmbio

Segundo Durigan, o cenário fiscal é apenas uma parte da colcha de retalhos que define o custo do dinheiro no Brasil. Ele argumenta que o rentismo exige taxas superiores às praticadas em outros países desenvolvidos hoje.

“Eu acho que tem uma cultura do rentismo brasileiro que exige uma taxa de juros mais alta do que em outros países, mas, sem dúvida nenhuma, o fiscal faz parte desse debate”, afirmou o ministro durante a entrevista gravada.

Ele citou ainda a falta de poupança pública e privada, aliada à volatilidade no mercado de câmbio, como elementos fundamentais que dificultam a redução sustentável da taxa Selic no curto e no médio prazo no país.

Investimento privado e ganho de produtividade

Para o ministro, o Brasil precisa evoluir da simples redistribuição de renda para um modelo focado em atrair investimento privado na economia real, gerando um salto de produtividade indispensável ao crescimento nacional.

Ele explicou que é fundamental conter o avanço das despesas obrigatórias para abrir espaço no Orçamento para gastos discricionários e investimentos públicos que funcionem como um motor para o setor privado brasileiro.

“Se a gente não abrir espaço para investimento, nós estamos fadados a fazer redistribuição e não dar o salto de produtividade”, declarou Durigan, reforçando a importância de juros mais baixos para atrair capital estrangeiro.

Arcabouço fiscal e o Orçamento de 2027

Durigan garantiu que o Orçamento de 2027 será transparente e sem armadilhas escondidas. O objetivo central é dar previsibilidade ao mercado financeiro e demonstrar o compromisso do governo com a trajetória das contas públicas.

Sobre a oposição, ele provocou ao mencionar que o cenário econômico atual já está bem definido, dificultando a apresentação de um novo Posto Ipiranga, termo usado para designar os superministros da economia de governos passados.

“A raia que nós vamos discutir é como fazer esse equilíbrio, se é com 2,5%, 1,5%, se é com 3%, mas é isso, o debate está dado”, completou o secretário, destacando o uso de gatilhos rígidos no novo arcabouço fiscal.

Riscos da reforma tributária e pautas-bomba

O ministro também alertou sobre o impacto de isenções excessivas na reforma tributária. Segundo ele, propostas como a PEC dos Temples poderiam elevar a alíquota do IVA em até 1 ponto percentual caso aprovadas.

Ele defende que os custos dos benefícios fiscais precisam estar claros para toda a sociedade, garantindo que o novo sistema tributário não seja sobrecarregado por interesses setoriais específicos que prejudiquem o país.

A fonte original é o Estadão e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | Parte fiscal importa para inflação e juros, mas não é a causa dos juros altos, diz Durigan

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