O cenário das apostas esportivas no Brasil acaba de sofrer um forte golpe regulatório com a assinatura de um novo decreto federal. O objetivo é claro, impedir que o dinheiro de plataformas irregulares continue circulando livremente pelo sistema financeiro nacional.

A medida foca em empresas de tecnologia financeira que operam nas sombras da regulação atual, servindo como ponte para movimentações bilionárias. A partir de agora, o governo federal tem o poder administrativo de paralisar esses fluxos de capital de forma imediata.

A estratégia busca não apenas combater a ilegalidade, mas também redirecionar recursos para áreas críticas da administração pública, como a segurança. O anúncio detalha como essa rede funciona, conforme divulgado pelo Estadão.

O papel das fintechs na movimentação das bets ilegais

O Ministério da Fazenda estima que 37 fintechs, que operam sem autorização específica do Banco Central por serem de pequeno porte, movimentam grande parte dos recursos de bets ilegais no País. Elas são o alvo principal do novo decreto.

Segundo o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, existem evidências claras de irregularidades. “Temos indícios de que essas 37 instituições financeiras que deram movimentação às bets ilegais são reincidentes e têm proximidade com outras investigações”, afirmou o ministro.

Essas empresas teriam conexões com processos que correm na Polícia Federal e em órgãos de inteligência da Receita Federal. O bloqueio administrativo busca interromper essa logística financeira de forma rápida, antes que o capital seja ocultado ou enviado para o exterior.

Cifras bilionárias e o combate ao crime

Embora não exista um valor exato do total a ser bloqueado, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, sinalizou que o montante é bilionário. Recentemente, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 145 milhões em apenas uma operação específica.

No entanto, a dimensão do problema é muito maior. Em uma investigação no município de Bodó, no Rio Grande do Norte, a Receita identificou uma movimentação de impressionantes R$ 50 bilhões, indicando um fluxo massivo de recursos através dessas instituições financeiras.

Para Barreirinhas, o decreto é uma arma fundamental para desestruturar grupos criminosos. “Agora, nós temos um instrumento muito poderoso de asfixia desse pilar financeiro, dessas organizações criminosas”, declarou o secretário durante entrevista sobre o tema.

Regras mais rígidas do Banco Central

A maioria dessas empresas são instituições de pagamento que aproveitavam brechas por não atingirem o volume mínimo de recursos para exigir autorização. Contudo, o Banco Central já vem apertando o cerco regulatório para fechar essas portas.

Desde setembro de 2025, todas as novas instituições de pagamento precisam obrigatoriamente de autorização para funcionar, independentemente do valor movimentado. A autarquia também elevou as exigências de capital social para garantir maior controle sobre o setor.

O dinheiro recuperado através desses bloqueios administrativos terá um destino específico. Segundo o governo, os valores serão usados para financiar o Fundo Nacional de Segurança Pública, transformando o lucro das apostas ilegais em investimento para o combate à criminalidade.

A fonte original desta notícia é o Estadão, que pode ser lido na íntegra através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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