A Gafisa, uma das incorporadoras mais tradicionais do Brasil, está no centro de uma nova e intensa disputa societária. O conflito envolve o controle da companhia e o direito de voto em uma assembleia decisiva.
De um lado, a gestora ativista L4 Capital tenta implementar mudanças profundas na governança para salvar a empresa. Do outro, credores que podem se tornar sócios em breve ameaçam o equilíbrio de forças atual.
O cenário é de incerteza, com uma assembleia geral extraordinária marcada para julho que pode definir o destino da marca, conforme divulgado pelo Estadão.
A disputa acionária na Gafisa e o impacto no mercado imobiliário
O grupo orquestrado pela L4 Capital, que detém cerca de 8% da empresa, conseguiu agendar uma reunião para o dia 1º de julho. O objetivo é ampliar o conselho de administração e substituir integralmente o conselho fiscal.
A grande preocupação da gestora é a entrada de credores no quadro de sócios através da conversão de dívidas em ações. Esse processo, iniciado em abril, pode injetar entre R$ 110 milhões e R$ 250 milhões na companhia.
Como o valor de mercado da Gafisa hoje é de apenas R$ 25 milhões, essa movimentação pode mudar drasticamente o controle da empresa, favorecendo figuras como o empresário Nelson Tanure, que já possui influência no negócio.
O embate sobre a data de corte na assembleia
Para evitar que novos sócios interfiram nos planos, a L4 pediu que fosse fixada a data de 5 de junho como limite para o direito de voto. “Quem quis participar do aumento de capital, aceitou a tese da empresa. Mas os credores não têm direito de discutir governança nesse momento da assembleia”, afirmou Hugo Queiroz, sócio da L4.
A Gafisa negou o pedido, alegando que a imposição de uma data de corte violaria a Lei das S.A. Segundo a direção, a base acionária válida deve ser a mais recente possível para garantir que os votantes sejam realmente acionistas no ato.
“Essa prática visa garantir que as pessoas que comparecerão à assembleia sejam, efetivamente, acionistas da companhia no momento da deliberação”, explicou a empresa. A L4, descontente com a resposta, prometeu buscar uma liminar judicial nos próximos dias.
A proposta de renovação dos conselhos
Na assembleia, o grupo liderado pela L4 pretende elevar o número de membros do conselho de administração de três para cinco. A justificativa para a mudança radical é o desempenho financeiro recente da Gafisa, que acumula prejuízos recorrentes.
Nos últimos 12 meses, as ações da incorporadora despencaram mais de 90%, sendo negociadas na casa de R$ 1. A estratégia da L4 envolve rediscutir o foco da empresa, saindo do luxo extremo e buscando oportunidades em outras regiões do país.
“Vamos usar a marca nacional da Gafisa em outros lugares onde tem muitas oportunidades para o alto padrão, mas com terrenos mais baratos”, diz Queiroz, citando planos para as regiões Sul e Centro-Oeste como alternativa competitiva.
O peso da dívida bilionária no futuro da marca
O maior obstáculo para qualquer nova gestão é a dívida total de R$ 1,6 bilhão. Desse montante, cerca de 41% vence ainda este ano, o que pressiona o caixa da companhia, que dispõe de pouco mais de R$ 300 milhões atualmente.
A direção atual da Gafisa, liderada por Luis Ortiz, acredita que a dívida será equacionada com a entrega de obras e repasses bancários. A previsão da empresa é que o endividamento total seja reduzido em 48% até o fim de 2024.
“A nossa alavancagem está muito ligada aos projetos. Então, na medida em que a gente vai fazendo as entregas e os repasses, a gente deve ter uma redução muito boa do endividamento”, afirmou Ortiz em teleconferência recente com investidores.
A fonte original é a [Estadão] e você pode conferir a matéria completa em: https://www.estadao.com.br/economia/coluna-do-broad/acionistas-da-gafisa-querem-limitar-influencia-de-credores-em-assembleia/







