O governo brasileiro foi surpreendido pela decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos de impor uma taxa de 25% sobre exportações nacionais. A medida foi anunciada nesta terça-feira e deve entrar em vigor a partir de 15 de julho.
Integrantes da gestão atual afirmam que todo o esforço de diálogo e as explicações técnicas fornecidas ao longo dos últimos meses foram desconsiderados pelos americanos. A situação gera um clima de frustração e preocupação na diplomacia brasileira.
O episódio ocorre mesmo após reuniões de alto nível entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. As informações foram divulgadas pelo Estadão.
Tensões comerciais e a decisão dos Estados Unidos
Evitar uma sobretaxação era um dos pilares da agenda de Luiz Inácio Lula da Silva. Em maio, o mandatário brasileiro esteve na Casa Branca buscando construir um caminho para resolver divergências pendentes sob a Seção 301.
Apesar da expectativa de um desfecho mais equilibrado, o embaixador Jamieson Greer, chefe do escritório comercial americano, anunciou as novas tarifas. A proposta de 25% ainda passará por audiência pública, mas o clima no Itamaraty é de pessimismo.
Divergências substanciais seguem sem solução
Segundo Jamieson Greer, o governo americano mantém divergências profundas com o Brasil. “Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete”, afirmou o representante.
Ele acrescentou: “Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”. Entre os temas críticos apontados pelos EUA estão o comércio digital, o uso do Pix e o combate ao desmatamento.
Reação do Itamaraty sobre motivação política
Diplomatas brasileiros avaliam que a decisão possui um viés puramente político. Fontes do governo indicam que as acusações sobre temas ambientais e financeiros foram vistas como infundadas e que a medida seria um reflexo de pressões externas.
Interlocutores do governo sugerem que o lobby da oposição brasileira em Washington influenciou o desfecho. Para o Itamaraty, a forma como o anúncio foi feito, sem esperar o fim do prazo acordado, demonstra uma falta de boa-fé nas tratativas diplomáticas.
O impacto da moratória na Organização Mundial do Comércio
O desgaste também se agravou devido a uma derrota política sofrida por Greer na Organização Mundial do Comércio. O Brasil, ao lado da Turquia, bloqueou a extensão da moratória que isenta de tarifas bens e serviços digitais, gerando ameaças diretas.
A posição brasileira na OMC teria irritado o governo americano, que prometeu consequências imediatas pela decisão. A relação, que já era sensível, agora enfrenta seu momento mais crítico com a iminência das novas alíquotas impostas pelo parceiro comercial.
A fonte original desta notícia é o Estadão, que pode ser acessada através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







