A evolução da presença feminina no comando das empresas
A representatividade de mulheres nos altos cargos de liderança das empresas listadas no Ibovespa apresentou um leve crescimento em 2026. A presença feminina nos conselhos de administração atingiu 22,8%, enquanto nas diretorias executivas o índice chegou a 17,1%, conforme divulgado pelo Estadão.
Embora os números mostrem uma evolução em comparação aos 21,3% e 16,4% registrados no ano anterior, o ritmo de inclusão ainda é visto com cautela. Especialistas em diversidade apontam que, apesar da melhora, os avanços ainda estão aquém da urgência necessária.
O levantamento realizado pelo Estadão, pelo quinto ano consecutivo, monitora a ocupação feminina nas 76 organizações mais influentes da bolsa brasileira. O estudo busca oferecer transparência sobre como a equidade de gênero tem sido tratada nos setores estratégicos.
O desafio das mudanças estruturais
Para Margareth Goldenberg, gestora do movimento Mulher 360, o cenário atual reflete uma adaptação incremental e não uma transformação estrutural. Ela ressalta que o avanço é incompatível com o número de mulheres qualificadas disponíveis no mercado.
O receio entre especialistas é que esse ritmo lento deixe as conquistas de gênero vulneráveis a retrocessos políticos ou culturais. A preocupação é que, sem mudanças profundas, a equidade permaneça em patamares pouco significativos para a tomada de decisões.
Destaques e lacunas no comando das empresas
Atualmente, o Ibovespa conta com quatro mulheres como CEOs e sete presidindo conselhos. Entre as empresas com maior presença feminina no comando estão nomes como Petrobras, Natura, Banco do Brasil e B3, que ocupam posições de destaque no ranking de diversidade.
Por outro lado, o cenário revela disparidades alarmantes, com companhias como a CSN e a Brava Energia sem nenhuma mulher em seus quadros de diretoria ou conselho. O levantamento também indica que 31,6% das empresas ainda não possuem mulheres na diretoria.
A divisão sexual do conhecimento
Um ponto central do relatório é a concentração feminina em áreas de apoio, como RH, jurídico e sustentabilidade, correspondendo a 58% dos casos. Essa segregação, chamada de divisão sexual do conhecimento, dificulta o acesso ao cargo de CEO.
Quando mulheres atuam longe das áreas core, que são as atividades principais do negócio, a ascensão ao topo torna-se um desafio muito maior. Esse fenômeno contribui para que poucas consigam romper a barreira para as presidências executivas.
O fenômeno do degrau quebrado
O conceito de degrau quebrado explica por que, apesar de muitas mulheres entrarem no mercado, a proporção diminui conforme a hierarquia sobe. Dados do Instituto Ethos confirmam essa queda, mesmo com mulheres possuindo um nível de instrução superior ao dos homens.
A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







