A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força total no Brasil com a proposta de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas. Essa mudança promete transformar a rotina de milhões de brasileiros, mas também gera debates intensos.

Enquanto muitos defendem o aumento do bem-estar e da qualidade de vida, especialistas alertam para o impacto imediato na produtividade e na folha de pagamento das empresas. O prazo de transição proposto é visto como um grande desafio.

A experiência internacional mostra que o sucesso dessa transição depende de um equilíbrio delicado entre as necessidades dos trabalhadores e a capacidade financeira dos negócios, conforme divulgado pelo Estadão.

A matemática por trás do fim da escala 6×1 no Brasil

A aprovação do fim da jornada 6×1 coloca o Brasil em uma lista de países que já reduziram o tempo de trabalho. Na América Latina, Chile, Colômbia e México estão em pleno processo de transição, mas com prazos bem maiores.

O exemplo da América Latina e prazos de transição

Na Colômbia, a redução de 48 para 42 horas é gradual e termina este ano. No México, a mudança para 40 horas aprovada em março só será concluída em 2030, permitindo que as empresas locais se adaptem sem grandes choques econômicos.

No Brasil, a PEC prevê uma transição de apenas 14 meses para reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Especialistas consideram esse prazo muito apertado para que o mercado consiga absorver os novos custos.

Produtividade versus aumento de custos

A grande preocupação no cenário nacional é se a produtividade do trabalhador, que cresce muito pouco há décadas, vai aumentar para compensar o custo da escala 6×1. Sem esse ganho, os preços de produtos e serviços podem subir.

Especialistas reforçam que a redução da jornada não é uma política de geração de empregos, mas sim uma política de bem-estar. O sucesso depende de regras claras, diálogos entre setores e, em alguns casos, de algum tipo de alívio fiscal.

As lições aprendidas pela França e Portugal

Na França, a jornada de 35 horas exigiu que o governo reduzisse as contribuições das empresas para a seguridade social. Já em Portugal, a mudança para 40 horas não trouxe novos empregos, fazendo as empresas reduzirem o ritmo de contratação.

Segundo a pesquisadora Marta C. Lopes, as empresas portuguesas optaram por contratar menos para compensar o aumento de 9,2% no custo do trabalho por hora, o que resultou em uma queda de 3,2% nas vendas das companhias afetadas.

Compensações fiscais e o futuro do emprego

Apesar dos custos, o lado positivo aparece na qualidade do serviço. Trabalhadores mais descansados em Portugal elevaram a produtividade em 7,9%, o que ajudou a mitigar os impactos financeiros negativos da nova jornada semanal.

Além disso, países como Itália e Bélgica também adotaram modelos similares no passado. Na Bélgica, a jornada caiu para 38 horas semanais em 2001, mantendo os salários e oferecendo redução em encargos sociais como forma de equilíbrio.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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