O Brasil continua atraindo olhares atentos de investidores globais, consolidando-se como um dos destinos favoritos para o capital estrangeiro direto. No entanto, o destino desses recursos está passando por uma transformação significativa.

A economia doméstica está mudando de cara, e isso reflete diretamente na forma como o dinheiro entra no país. O foco, que antes era pesado em fábricas e extração, agora mira novas frentes de crescimento e inovação.

De acordo com dados recentes da OCDE e do Banco Central, o país recebeu US$ 77 bilhões em 2025, um salto de 23% que coloca o Brasil no topo do ranking global, conforme divulgado pelo Estadão.

O novo perfil do investimento estrangeiro no Brasil e a força dos serviços

O volume bilionário registrado em 2025 colocou o país como o terceiro principal destino global de investimento estrangeiro no Brasil, ficando atrás apenas das potências Estados Unidos e China, em um cenário de alta competitividade.

Apesar do crescimento total, os dados do Banco Central revelam que o dinheiro está indo para lugares diferentes. O setor de serviços agora domina, concentrando 57,2% do Investimento Direto no País (IDP) voltado para participação no capital.

Nos últimos cinco anos, a média de participação dos serviços subiu para 60,7%, um aumento notável em comparação aos anos anteriores. Esse movimento mostra que o investidor está de olho no consumo das famílias e na tecnologia.

A explosão dos serviços financeiros e de tecnologia

A transformação tecnológica é um dos motores dessa mudança. O investimento médio anual em serviços de Tecnologia da Informação (TI) cresceu cerca de 70%, mostrando a sede do capital externo por inovação em solo brasileiro.

No entanto, o maior destaque fica com o setor financeiro. O fluxo médio anual praticamente dobrou, impulsionado por novos players digitais que revolucionaram o mercado bancário nacional nos últimos anos, atraindo sócios internacionais.

Sobre essa expansão, André Pineli, do Ipea, destaca: “Hoje, o banco com o maior valor de mercado no Brasil é o Nubank, que nem existia há 10 anos e tem uma participação estrangeira grande no capital”, exemplifica o especialista.

Por que indústria e setor primário perderam espaço?

Enquanto os serviços avançam, a indústria e o setor primário, que inclui agropecuária e mineração, viram sua fatia cair. Na indústria, a redução está ligada ao fim de ciclos de incentivos e aos impactos deixados pela pandemia.

Já no setor primário, o recuo é explicado pela maturação de grandes projetos. Investimentos massivos que ocorreram no passado, como a exploração do pré-sal, agora deram lugar a fases de operação, exigindo menos aportes novos.

Para Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, o movimento é natural: “À medida que o País melhora seu nível de renda média, o setor de serviços é o que mais se beneficia disso. E o investidor externo está de olho nesse movimento”, afirma.

O Brasil como porto seguro na nova ordem global

Especialistas acreditam que o Brasil está muito bem posicionado para o futuro. Elementos como a neutralidade geopolítica, a democracia estável e a oferta de energia barata, o chamado powershoring, são diferenciais decisivos.

O país também tenta atrair capital para áreas estratégicas como minerais críticos e data centers. A aprovação do projeto de lei das terras raras é um passo importante para criar marcos regulatórios e atrair novas fábricas de alta tecnologia.

A Apex e o Ministério da Indústria reforçam que o momento é favorável. O objetivo agora é garantir que esses investimentos tragam valor agregado, transformando riquezas naturais em produtos de alta complexidade para o mercado global.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e você pode ler a matéria completa em: https://www.estadao.com.br/economia/menos-industria-mais-servicos-investimento-estrangeiro-brasil-muda/

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