O mercado financeiro foi surpreendido recentemente por comentários sobre o futuro da Cosan. Em uma teleconferência, a possibilidade do fim da holding em um curto período gerou incertezas, mas a diretoria busca agora esclarecer a real estratégia para a companhia.
Rubens Ometto, presidente do conselho de administração, garantiu que a empresa não encerrará suas atividades. O executivo reforçou que os planos passam por uma reestruturação profunda para garantir a perenidade do negócio, conforme divulgado pelo Estadão.
O cenário atual exige que a holding desça do salto alto e priorize a simplicidade. A meta é clara: reduzir o endividamento e focar na eficiência operacional para que o grupo continue sob o comando da família por muitos anos, mantendo a característica de empresa de dono.
Reestruturação e foco na redução da dívida
Ometto explicou que o ambiente econômico brasileiro, marcado por taxas de juros elevadas, tornou o modelo anterior de holding operacional inviável. Com isso, a prioridade máxima da gestão é zerar o endividamento até o final deste ano, simplificando a estrutura financeira.
A empresa possui um portfólio robusto, incluindo ativos como Compass, Rumo e Moove. O executivo ressaltou que, no Brasil, a necessidade de reduzir alavancagem é urgente. A holding pretende atuar apenas como gestora de dividendos, sem carregar dívidas em sua estrutura corporativa.
Venda de ativos e o sucesso da Rumo
Para atingir a meta de desalavancagem, o grupo não descarta a venda de participações, desde que mantenha o controle dos negócios. Ometto destacou que a logística da Rumo é um ativo extremamente cobiçado pelo mercado, comparando a empresa a uma noiva paquerada.
A estratégia de venda será feita com cautela, priorizando o valor dos ativos. Além disso, a companhia decidiu abandonar setores menos estratégicos, como o trading de energia elétrica, para focar no que realmente traz rentabilidade ao portfólio de longo prazo.
Investimentos e transição energética
Sobre os investimentos bilionários em marcas como Shell Argentina e Biosev, Ometto admitiu que a empresa errou na mão ao investir mais do que deveria no passado. Esse excesso de gastos, embora tenha gerado um portfólio avançado, elevou o endividamento do grupo.
Mesmo reduzindo o ritmo, o compromisso com a descarbonização e o etanol de segunda geração permanece. O grupo continua sendo líder na produção de energia sustentável e acredita que a correção na estrutura de capital permitirá que a companhia decole novamente.
Sucessão e o legado de Ometto
O empresário reafirmou que não pretende deixar os conselhos de administração tão cedo. Com saúde e disposição, ele foca agora na educação dos netos e no treinamento de seus sucessores, defendendo o modelo de empresa de dono profissionalizada para os próximos ciclos.
O objetivo é claro: realizar negócios de forma consciente, sem recorrer a dívidas que comprometam a estrutura do grupo. A Cosan segue com foco em seus ativos de primeira linha, mantendo a visão de crescimento sustentável com sangue empreendedor. A fonte original é o Estadão.







