O cenário para a segurança energética mundial nas próximas décadas é motivo de preocupação para especialistas. O crescimento acelerado da inteligência artificial e a instabilidade geopolítica criam um ambiente desafiador para o abastecimento global.

Segundo Felipe Perez, diretor da S&P Global, o planeta enfrenta uma necessidade urgente de expansão da capacidade produtiva. O especialista destacou o tema durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), conforme divulgado pelo Estadão.

A transição energética não deve substituir rapidamente o modelo atual. O estudo aponta que o mundo precisará de mais energia do que as fontes renováveis, como eólica e solar, conseguem oferecer no curto e médio prazo para suprir a alta demanda industrial.

Os limites da transição energética e o papel do petróleo

Perez ressalta que o mundo atravessa um processo de transição, mas enfrenta um desafio crítico de adição energética. Dados da S&P Global sugerem que, até 2060, a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética mundial deve permanecer estável.

O relatório indica que será necessário extrair mais de 30 milhões de barris de petróleo por dia de reservas ainda não descobertas. Essa dependência mantém o setor de óleo e gás como protagonista, mesmo diante das metas de sustentabilidade climática.

Desafios logísticos e tensões geopolíticas globais

A crise no Estreito de Ormuz ilustra perfeitamente as vulnerabilidades do setor. Existe um descompasso geográfico entre os países que possuem maior capacidade de produção e aqueles que figuram como os maiores importadores de energia no planeta.

A lista de grandes exportadores para 2035 inclui potências como Arábia Saudita, Estados Unidos e Brasil. Em contrapartida, nações como China e Índia lideram o consumo, criando uma dependência que pode gerar novos conflitos diplomáticos no futuro.

A escassez de minerais críticos para a tecnologia

Além do petróleo, a eletrificação das economias exige uma mineração intensa de metais. O cobre é citado como um recurso essencial, sendo que a produção atual precisará aumentar mais de 40% até 2040 para viabilizar as tecnologias de ponta.

O domínio da China sobre o refino de terras raras também preocupa líderes mundiais. Perez compara o cenário a uma crise de oferta, onde a centralização da produção em um único país ameaça indústrias fundamentais e o setor de defesa global.

Inovação em foco no São Paulo Innovation Week

O evento discute como o avanço tecnológico impacta diretamente os recursos naturais. Com foco em inovação, o encontro reúne especialistas globais para debater caminhos sustentáveis em áreas como mobilidade, finanças e geopolítica até o dia 15 de maio.

A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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