Desafios da transição energética brasileira em debate no SPIW
O Brasil enfrenta um momento decisivo em sua trajetória rumo a uma economia mais sustentável e menos dependente de combustíveis fósseis. Especialistas reunidos no São Paulo Innovation Week (SPIW) destacam que o ritmo atual de investimentos pode não ser suficiente para garantir a liderança global do país no setor.
Durante o evento, o cenário da transição energética foi comparado a uma partida de futebol onde o país estaria perdendo, exigindo ajustes imediatos nas políticas públicas. O debate trouxe à tona preocupações sobre a desaceleração da energia eólica, conforme divulgado pelo Estadão.
O São Paulo Innovation Week (SPIW), que acontece no Pacaembu e na Faap, reúne líderes para discutir o futuro em diversos eixos, como tecnologia, sustentabilidade e inovação, servindo como um palco fundamental para diagnósticos sobre o desenvolvimento nacional.
A desaceleração no setor eólico brasileiro
A CEO da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, traçou um paralelo crítico sobre a situação atual. Ela afirmou que o Brasil vive um momento delicado e precisa reverter o jogo para evitar perdas maiores na competição global por energia limpa.
O setor, que registrava instalações anuais de 4 GW até 2023, sofreu quedas consecutivas, chegando a 3,3 GW em 2024 e 2,3 GW no ano passado. Segundo a executiva, o cenário é agravado pela falta de demanda por novos projetos e desequilíbrios regulatórios.
Gargalos no sistema elétrico e o problema do curtailment
Um dos pontos centrais da discussão foi o excesso de capacidade gerado por painéis solares residenciais. Esse fenômeno tem causado o curtailment, onde usinas renováveis precisam ser desligadas porque o sistema de distribuição não consegue absorver tanta energia.
“Estamos numa situação em que os projetos potenciais não têm demanda e os já assinados não podem gerar energia porque o sistema não está absorvendo”, explicou Elbia Gannoum durante o painel mediado pelo ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.
O papel estratégico da energia eólica offshore
Apesar dos desafios, há um otimismo cauteloso em relação a 2027. A expectativa é que a instalação de datacenters e a eletrificação da economia impulsionem a demanda, tornando as usinas eólicas offshore (em alto mar) peças-chave para o futuro do país.
Roberta Cox, diretora da Global Wind Energy Council, ressaltou que o planejamento deve começar agora. Para ela, o Brasil tem uma matriz energética privilegiada que pode atrair investimentos globais e transformar o país em uma das maiores economias nas próximas décadas.
A necessidade de planejamento a longo prazo
O debate reforçou que o Brasil possui todas as condições técnicas para se destacar, mas carece de um decreto regulador eficiente para o setor offshore. Sem uma estratégia clara e organizada, o país corre o risco de desperdiçar sua vocação natural para energia limpa.
“Se começarmos os projetos de offshore agora, em 50 anos, podemos ser uma das maiores economias pela abundância de energia que temos”, concluiu Roberta Cox. A fonte original é o [Estadão](https://www.estadao.com.br/economia/brasil-esta-perdendo-jogo-da-transicao-energetica-afirma-executiva-do-setor-eolico/).







