A Votorantim está prestes a concluir a venda do controle acionário da Nexa Resources, empresa que integra o seleto grupo das seis maiores produtoras de zinco globais. A operação, que envolve 64,7% das ações da mineradora, tem valor estimado em pelo menos R$ 7 bilhões (US$ 1,4 bilhão) segundo a cotação da Bolsa de Nova York na última sexta-feira.

Segundo fontes próximas às negociações, o grupo não abriu processo competitivo, optando por uma negociação direta com um candidato europeu, descartando empresas chinesas. Trata‑se do segundo desinvestimento desse ano, encerrando a longa trajetória da Votorantim na mineração de metais, fundada pela família Ermírio de Moraes.

As informações são confirmadas pelo Estadão, que detalha ainda que a Nexa, criada há 65 anos como Companhia Mineira de Metais, tem grande parte de suas operações no Peru, o segundo maior produtor mundial de zinco.

Detalhes da negociação e impacto no mercado

O negócio representa um dos maiores da indústria de mineração em 2026. Avaliado em US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 11 bilhões), o valor considera a capitalização total da Nexa na NYSE. A empresa, listada desde 2017, viu suas ações dispararem 37,58% na última semana, chegando a US$ 16 após alcançar quase US$ 17.

Operações e performance financeira

Em 2025, a Nexa gerou receita líquida de US$ 3 bilhões (R$ 16 bilhões) e reduziu sua alavancagem para 1,7 vezes o EBITDA, que atingiu US$ 772 milhões. A produção incluiu 532 mil toneladas de zinco refinado, 35 mil toneladas de óxido de zinco, além de cobre, chumbo, prata e ouro.

Estrutura e produção

Com sede institucional em Luxemburgo e escritório central em São Paulo, a Nexa opera cinco minas de zinco (três no Peru e duas no Brasil) e três refinarias, sendo a de Cajamarquilla, em Lima, a maior das Américas e a sexta maior do mundo, com capacidade total de 650 mil toneladas por ano.

Contexto da Votorantim no setor

Recentemente, a Votorantim já havia vendido a CBA, fabricante de alumínio, para a chinesa Chalco em parceria com a Rio Tinto, por R$ 4,7 bilhões. A operação está aguardando aprovação antitruste até agosto. A estratégia do grupo visa reduzir a exposição a commodities metálicas voláteis e reinvestir em setores mais resilientes como energia, infraestrutura e farmacêutica.

A Nexa destaca‑se como a sexta maior produtora de zinco refinado do mundo, segundo a consultoria Wood Mackenzie, e responde por 47% da produção de metais extraídos, incluindo subprodutos como cobre e prata.

O zinco, principal produto da Nexa, tem aplicações essenciais em galvanização de aço, ligas metálicas, baterias e óxido de zinco para tintas, borracha e cosméticos, sustentando a crescente demanda industrial.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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