Novo capítulo do caso Master tem autoridades com foro e chance de delação de Vorcaro

Suspeitas sobre a conduta de políticos promete agitar campanhas eleitorais deste ano. Crédito: Estadão

BRASÍLIA – O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza vendeu uma fazenda de café por R$ 3 milhões a um fundo de investimentos ligado ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.

Neves de Souza é apontado pelas investigações do Banco Central e da Polícia Federal como um “consultor informal” do Master dentro do órgão, e teria recebido recursos para ajudar o banco a burlar a fiscalização.

As informações foram publicadas pelo Valor Econômico e confirmadas pelo Estadão. A defesa do ex-diretor não se manifestou até a publicação desta reportagem.

A descoberta do pagamento aconteceu pelo próprio Banco Central, que repassou as informações à Polícia Federal. Esse foi um dos motivos para o afastamento do servidor, em janeiro deste ano, e também serviu de embasamento para a terceira fase da Operação Compliance Zero.

A transação teria ocorrido ainda em 2021, quando Neves de Souza era Diretor de Fiscalização, e coincide com o forte crescimento do Master, como mostrou o Estadão.

Questionado internamente pelo BC, Neves admitiu o negócio e afirmou que não sabia que o fundo era ligado a Vorcaro. Ele afirmou que, como o preço do café havia subido, depois da venda, ele conseguiu arrendar novamente a propriedade para continuar fazendo uso da fazenda.

As suspeitas são de que esse pagamento tenha sido apenas uma das propinas recebidas pelo ex-diretor do BC para prestar serviços informais ao Master, de dentro do Banco Central.

Neves foi alvo de medidas do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Ele é obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está impedido de se comunicar com outros envolvido e de acessar qualquer sistema do Banco Central.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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