O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, anunciou que vai solicitar à Advocacia‑Geral da União (AGU) a revogação de todas as liminares que retiram empresas da chamada lista suja do trabalho escravo. O objetivo, segundo o ministro, é impedir que companhias como a montadora chinesa BYD escapem das sanções administrativas.

Marinho também propôs que as empresas beneficiadas por decisões judiciais assinem um termo de ajustamento de conduta (TAC) enquanto as liminares não forem anuladas. A iniciativa foi divulgada em entrevista ao Estadão, quatro dias após a exoneração do secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello, que havia sido removido após a inclusão da BYD na lista suja.

O ministro reforçou que não há interferência política no caso e que sua atuação visa garantir a eficácia da inspeção do trabalho. “Eu estou avocando pouco”, brincou ao ser questionado sobre a extensão de sua ação. (fonte: Estadão)

Medida contra liminares e proposta de TAC

Marinho declarou que vai orientar a AGU a “derrubar todas as liminares” que estejam mantendo empresas fora da lista suja. “Então, a empresa ‘AB’, que saiu da lista do trabalho sujo por liminar pode voltar”, afirmou.

Ele explicou que há duas formas de uma empresa evitar a inclusão na lista: cumprir integralmente as normas trabalhistas ou, se houver infração, firmar um TAC com o Ministério do Trabalho. “Isso vale para todas as empresas, não é para A, B ou C”, ressaltou.

Impacto para a BYD e outras companhias

A BYD, que obteve liminar favorável, ainda não se posicionou sobre a proposta do ministro. Marinho alertou que, caso a liminar seja anulada, a empresa deverá assinar um TAC para permanecer fora da lista, sob risco de ser reintegrada.

Outras empresas que já conseguiram decisões semelhantes também são alvo da medida, que busca impedir que recursos judiciais limitem a atuação da inspeção do trabalho.

Contexto da exoneração de Brandão de Mello

O ex‑secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello, foi exonerado após a inclusão da BYD na lista suja. Marinho negou pressões políticas e garantiu que o ex‑secretário continuará no órgão em outra função, mantendo a amizade com ele.

Relações internacionais e concorrência

Marinho também apontou que instituições internacionais podem usar o debate sobre trabalho escravo para dificultar a concorrência e prejudicar exportações brasileiras. “É muito perigoso esse debate. Minha missão é proteger nossa inspeção e respaldá‑la”, concluiu.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Copasa dobrou em valor de mercado no curso da privatização, para R$ 23 bi

Privatização da Copasa chega à reta final com a Equatorial como investidora estratégica e potencial movimentação de até R$ 10 bilhões no mercado

Processo de venda de ações da companhia mineira promete ser um marco no setor de saneamento, após o valor de mercado da empresa dobrar desde o início das tratativas
Quais os benefícios e os riscos da queda internacional do dólar

Por Que Tarifas de Trump Desvalorizaram o Dólar Contra a Teoria de Mundell-Fleming: Benefícios e Riscos para o Brasil

Modelo econômico previa valorização da moeda com protecionismo, mas nos EUA o dólar caiu mais de 10% e abre portas para emergentes
O que o Brasil pode aprender com as cidades inteligentes da China? Executivos revelam lições do país

Cidades inteligentes: especialistas chineses revelam como o Brasil pode evoluir na infraestrutura digital e tecnologias de gestão urbana no futuro

Durante o São Paulo Innovation Week, executivos apontam que conectividade robusta e inteligência artificial são pilares para a transformação urbana
Orçamento: bloqueio das contas públicas deve ser de até R$ 10 bi, e contingenciamento será pequeno

Orçamento: bloqueio das contas públicas deve ser de até R$ 10 bi, e contingenciamento será pequeno

“Haddad sai e não voltará para lidar com a bomba fiscal e…