O Itamaraty enviou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) uma versão obsoleta da lista de empresas acusadas de trabalho escravo. Entre os nomes constava a montadora chinesa BYD, que acabou de abrir uma fábrica em Camaçari (BA).
O documento chegou em 15 de abril como anexo à resposta do Ministério das Relações Exteriores. Até o fechamento desta matéria, BYD e o Itamaraty não se manifestaram, deixando o caso em aberto.
A investigação do USTR, iniciada no mês passado, abrange 59 países e a União Europeia, analisando falhas no combate ao trabalho forçado e podendo influenciar a retomada da tarifa de importação proposta pelo governo dos EUA. (fonte: Estadão)
Lista suja desatualizada e a inclusão da BYD
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a lista de empresas que violaram normas de combate ao trabalho escravo foi atualizada em 6 de abril. Na ocasião, a BYD foi inicialmente incluída, mas três dias depois obteve liminar que retirou seu nome, argumentando que os trabalhadores estavam vinculados a prestadoras contratadas para a construção da unidade.
A versão enviada ao USTR, porém, correspondia ao primeiro registro de 2026, contendo a empresa “BYD Auto do Brasil LTDA” e 163 trabalhadores supostamente envolvidos. Essa discrepância gerou tensão no governo brasileiro.
Repercussões internas
A publicação da empresa chinesa na lista provocou a demissão do secretário responsável pelo setor, gerando protestos contra a suposta interferência política do ministro Luiz Marinho, do Ministério do Trabalho e Emprego.
Contexto da fábrica de Camaçari
Em 2024, fiscalização encontrou trabalhadores imigrantes chineses em condições degradantes nas obras da planta, que antes pertencia à Ford e foi adquirida pela BYD. A fábrica passou por reformas, modernização e ampliação, mas as denúncias de trabalho análogo à escravidão persistiram.
Relação Brasil‑EUA e interesses estratégicos
Para diplomatas brasileiros, o verdadeiro objetivo dos EUA seria pressionar a China, seu principal concorrente global, utilizando casos como o da BYD para exercer pressão econômica. O caso evidencia como questões de direitos trabalhistas podem ser instrumentalizadas em disputas geopolíticas.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







