A sessão que iniciou o processo de impeachment de Dilma aconteceu em 17 de abril de 2016, sob a presidência da Câmara de Eduardo Cunha. O plenário, lotado, durou cerca de dez horas e marcou o início de um intenso confronto ideológico no Brasil.

Deputados de diferentes partidos subiram ao tribuno para fazer discursos que misturavam política, religião e críticas pessoais, enquanto manifestações nas ruas do país dividiam opiniões entre apoiadores e opositores do afastamento da presidente.

O resultado final foi de 367 votos a favor e 137 contra, consolidando o afastamento de Dilma Rousseff e abrindo caminho para a decisão do Senado. A matéria se baseia no conteúdo publicado pelo Notícias ao Minuto Brasil – Política.

Os destaques da sessão que ficou conhecida como marco da política recente

‘PELA MEMÓRIA DE USTRA’

Jair Bolsonaro, então filiado ao PSC, homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador da ditadura, comparando o golpe de 1964 com o processo de 2016. A frase “Por um Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos” ficou famosa.

‘QUE DEUS TENHA MISERICÓRDIA DESSA NAÇÃO’

Eduardo Cunha, já acusado na Operação Lava Jato, saiu da presidência da Câmara para votar, recebendo vaias da bancada governista. Três semanas depois, foi afastado pelo STF e teve o mandato cassado.

‘CUNHA, VOCÊ É UM GÂNGSTER’

Glauber Braga (PSOL‑RJ) atacou Cunha chamando‑o de “gângster” e homenageou figuras da esquerda que lutaram contra a ditadura, como Carlos Marighella.

‘FARSA SEXISTA’

Jean Wyllys (PSOL‑RJ) descreveu o processo como “farsa sexista”, acusando Cunha e Michel Temer de conspirarem para um “golpe”. Ele chegou a cuspir em Bolsonaro durante o discurso.

‘PELOS MILITARES DE 64, HOJE E SEMPRE’

Eduardo Bolsonaro, filho de Jair, usou o tribuno para elogiar os militares de 1964, citar a ditadura e pedir a prisão de Lula e Dilma, enquanto enfrentava processos no STF.

‘A LUTA APENAS COMEÇOU’

Jandira Feghali (PC do B) denunciou a moralidade de Cunha e alertou que a aliança do impeachment reunia “corruptos, torturadores e traidores da pátria”.

‘SIM PELO FUTURO’

Bruno Araújo (PSDB) proferiu o 342º voto, consolidando a continuidade do processo. Mais tarde, foi ministro das Cidades no governo Temer.

‘GLÓRIA A DEUS’

Cabo Daciolo (PT do B) conclamou a nação a “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”, antes de votar “sim” e anunciar sua pré‑candidatura presidencial.

‘A MORENA MAIS LINDA DO BRASIL’

Luiz Henrique Mandetta (DEM) votou “sim”, citando sua cidade e a “morena mais linda do Brasil”. Anos depois, foi ministro da Saúde no governo Bolsonaro.

‘TIRIRICA, TIRIRICA, TIRIRICA’

O humorista Tiririca (PR‑SP) foi sucinto, declarando “Meu voto é sim”, mas acabou sendo alvo de cantos dos colegas que repetiam seu nome.

Fonte original: Notícias ao Minuto Brasil – Política. Acesse a matéria completa.

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