O governo federal, em pleno ano eleitoral, está negociando com o Congresso um projeto de lei para acabar com a escala de trabalho 6×1, alegando que a mudança traz mais qualidade de vida para a população. A iniciativa foi apresentada como prioridade pelos responsáveis.

Entretanto, críticos apontam que há questões muito mais urgentes no país, como a violência crescente, o baixo nível de educação e os altos salários no funcionalismo público, que afetam diretamente a vida dos brasileiros.

Segundo divulgado pelo Estadão, esses temas competem por atenção do poder público e, para muitos, deveriam ter prioridade sobre a discussão da jornada de trabalho.

Segurança pública e criminalidade em alta

O Brasil está entre as nações com maior criminalidade, ocupando a 14ª posição no Índice Global de Crime Organizado 2025, que avalia 193 países. Esse dado evidencia a necessidade de políticas mais efetivas de segurança, que deveriam ser tratadas como urgentes.

Impactos da violência no cotidiano

A violência afeta a qualidade de vida, gera medo nas ruas e dificulta o desenvolvimento econômico, tornando‑a uma prioridade absoluta para o Estado.

Educação e analfabetismo funcional

O Indicador de Alfabetismo Funcional mostra que 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, incapazes de interpretar textos simples ou realizar cálculos básicos. Essa realidade compromete a produtividade nacional.

Consequências para o mercado de trabalho

Com tantos trabalhadores em situação de analfabetismo funcional, a produtividade permanece baixa, dificultando a competitividade do país no cenário internacional.

Supersalários no funcionalismo público

Segundo o Conselho Nacional de Justiça, juízes recebem, em média, R$ 95 mil brutos por mês, com 98% dos magistrados ultrapassando o teto constitucional em ao menos um mês. Esses números geram indignação em meio a salários mínimos de R$ 1,6 mil.

Desigualdade salarial e percepção pública

A disparidade entre os salários da elite pública e a população geral alimenta a sensação de que o Estado prioriza interesses de poucos em detrimento da maioria.

Impactos econômicos da proposta 6×1

Estudos da Fundação Getulio Vargas indicam que o fim da jornada 6×1 pode reduzir o PIB em até 7,4% e elevar os custos operacionais das empresas em até 15%, sobretudo no varejo, devido a contratações e horas extras.

Além disso, o custo da hora trabalhada poderia subir 22%, pressionando a inflação e aumentando a informalidade.

Em síntese, embora o debate sobre a jornada de trabalho seja relevante, a crítica aponta que a política deve focar em segurança, educação, salários justos e estabilidade econômica antes de promover mudanças na escala 6×1.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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