Em meio à pandemia de 2020, a Embraer viu seu acordo com a Boeing ruir, cenário que muitos acreditaram ser o fim da gigante aeroespacial. Francisco Gomes Neto, CEO desde 2019, herdou uma empresa à beira da ruptura, com contratos cancelados e a aviação mundial paralisada.
Ao contrário de buscar um novo parceiro estrangeiro, a liderança optou por olhar para dentro, reforçando três áreas estratégicas: jatos executivos, defesa e serviços de pós‑venda. Essa decisão – descrita como “conservadora” na época – acabou por se tornar o motor de uma renovação completa da companhia.
O resultado foi surpreendente: pedidos que chegaram da Europa, conquistados sem subsídios ou relações prévias, validaram tecnicamente a marca e abriram portas para novos contratos de defesa, enquanto a produção nacional foi mantida e até ampliada.
Reviravolta após o colapso do acordo com a Boeing
Quando a Boeing abandonou o projeto, a expectativa era de que a Embraer quebrasse. O mercado denunciou a empresa como perdedora, mas a nova gestão manteve a confiança em seu core business. A estratégia consistiu em concentrar esforços em poucos mercados e aprofundar cada um deles, evitando a dispersão típica de crises.
Foco em jatos executivos, defesa e serviços
Ao priorizar esses três segmentos, a Embraer conseguiu transformar a adversidade em oportunidade. A demanda por jatos executivos cresceu, enquanto contratos de defesa europeus – firmados em competição aberta – comprovaram a excelência técnica da companhia.
Resultados financeiros impressionantes
Em 2025, a carteira total de pedidos atingiu US$ 29,7 bilhões, superando recordes históricos. Esse crescimento não decorre de um “golpe de mestre” pontual, mas de cinco anos de decisões consistentes e disciplinares, conforme destacam analistas de gestão.
Compromisso com a indústria nacional
Mesmo diante da tentação de deslocar operações para os EUA ou Europa, a Embraer manteve seu centro de gravidade no Brasil. São José dos Campos consolidou‑se como polo aeroespacial, e o novo jato E2 reduziu em 25 % as emissões de CO₂, podendo chegar a 85 % com combustíveis sustentáveis. Todas as unidades brasileiras operam com energia 100 % renovável, reforçando a sustentabilidade como vantagem competitiva.
A história da Embraer, que quase morreu duas vezes, demonstra que crises revelam a essência de uma empresa. Quando a liderança usa a pressão para encontrar clareza, o que parecia fim se transforma em novo começo. Essa lição de resiliência e foco será estudada nas escolas de negócios por décadas.
Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







