Roberto Rodrigues, ex‑ministro da Agricultura e professor emérito da FGV, afirma que a zona tropical – América Latina, África subsaariana e partes da Ásia – será a grande fronteira de crescimento agrícola nos próximos anos. Ele destaca o Brasil como único país que desenvolveu tecnologia de agricultura tropical sustentável e que tem papel de ensinar essa prática ao resto do mundo.

Segundo Rodrigues, a experiência da soja, que saiu de produção incipiente nos anos 1960 para liderar as exportações, deve se repetir com o trigo, graças a uma nova variedade irrigada desenvolvida pela Embrapa. O objetivo é transformar o Brasil em exportador de trigo em até cinco anos.

O ex‑ministro também revela duas frentes de trabalho: um estudo multidisciplinar para definir uma política de Estado para o agronegócio, e o projeto Agro Brasil 50, em parceria com a Fapesp, que mapeará a produção e o consumo agrícolas globais até 2050. Conforme divulgado pelo Estadão.

Brasil lidera a agricultura tropical sustentável

Roberto Rodrigues afirma que “o Brasil é o único país dessa região que desenvolveu uma tecnologia de agricultura tropical sustentável” e que seu modelo pode ser replicado em todo o mundo tropical. Ele vê o país como futuro professor dos demais, capacitando-os a produzir alimentos, fibras e energia de forma sustentável.

Inovações que possibilitam a exportação de trigo

A Embrapa criou uma variedade de trigo adaptada ao Cerrado irrigado, o que, segundo Rodrigues, permitirá ao Brasil exportar o grão dentro de cinco anos, encerrando a tradição de importação que dura desde a colonização.

Estudo estratégico Agro Brasil 50

O projeto, negociado com a Fapesp, analisará 15 variáveis – clima, terra, água, tecnologia e mudanças alimentares – para prever quem produzirá e consumirá alimentos até 2050 em 45 países. O estudo complementará outro plano estratégico elaborado pela FGV.

Os cinco pilares da estratégia agropecuária

Rodrigues destaca: tecnologia; acordos comerciais; logística e infraestrutura; políticas públicas de renda no campo, como o seguro rural; e organização rural via cooperativas e sindicatos. Ele alerta que atualmente o Brasil carece de uma estratégia de Estado que integre esses pontos.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

You May Also Like
JBS fecha acordo com trabalhadores e encerra greve em fábrica de carne bovina nos EUA

Agricultura regenerativa: CEO da JBS afirma que é chave para paz mundial e combate à crise climática

Entrevista revela como a maior processadora de carne do planeta planeja transformar a produção agrícola para enfrentar desafios globais
Sicário recebeu R$ 24 milhões por serviços ilícitos a Vorcaro: ‘A Interpol tá limpa, aguardando FBI’

Sicário recebeu R$ 24 milhões por serviços ilícitos a Vorcaro: ‘A Interpol tá limpa, aguardando FBI’

‘Sicário’ de Vocaro: o executor de ‘práticas violentas’ na organização de Vorcaro,…
O que esperar da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais em 2026?

ANPD se prepara para virada em 2026: Lei Geral de Proteção de Dados terá fiscalização reforçada, novo comando e foco em IA no Brasil

A virada da ANPD: Mais poder e fiscalização para a Lei Geral de Proteção de Dados a partir de 2026
Petróleo: o governo reduz a atratividade do Brasil ao recriar Imposto de Exportação

Imposto de Exportação sobre o petróleo bruto recriado: como a nova medida fiscal pode reduzir a atratividade do Brasil para investidores do setor de energia

Governo federal reintroduz tributo ao petróleo e gera debate sobre competitividade e governança da Petrobras