Os recentes problemas no Estreito de Ormuz – um dos principais gargalos marítimos do mundo – reacendem o debate sobre a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos globais. Enquanto os Estados Unidos enfrentam aumento de custos de fertilizantes e fretes, o Brasil tem aproveitado a oportunidade para ampliar sua presença no comércio exterior.

Especialistas apontam que a guerra iniciada por Donald Trump contra o Irã, combinada com a política de tarifas americanas, elevou os preços dos insumos agrícolas e colocou em risco a safra norte‑americana. Esse cenário abre espaço para que o agronegócio brasileiro consolide sua posição nos mercados asiáticos e do Oriente Médio.

A análise abaixo, baseada em reportagem do Estadão, destaca os principais impactos dos gargalos marítimos e oferece uma visão dos desafios e oportunidades que se desenham para o agro brasileiro.

Gargalos marítimos e seu efeito direto nos custos agrícolas

Estreito de Ormuz: o ponto crítico

O fechamento parcial do Estreito de Ormuz, provocado pela guerra entre Irã e Estados Unidos, elevou o preço dos combustíveis e, consequentemente, dos fretes marítimos. “O impacto, por enquanto, está restrito ao preço dos combustíveis e do transporte”, afirma Sérgio Vale, economista‑chefe da MB Associados.

Tarifas e subsídios nos EUA

Segundo Vale, “Trump já havia feito um processo longo de encarecimento dos fertilizantes nos EUA ao longo de todo o ano passado, com o tarifaço”. Essa política reduziu a competitividade americana, gerando déficits comerciais agrícolas e maior dependência de subsídios governamentais.

Oportunidade para o Brasil

Com a China procurando substituir as compras de commodities americanas, o Brasil acelerou sua inserção nesses mercados, registrando crescimento de 20,4% na Ásia e 24,5% no Oriente Médio em 2024. Além disso, o país ampliou a exportação de carnes e milho para o Sudeste Asiático, que demanda alternativas ao fornecedor norte‑americano.

Desempenho global do agronegócio brasileiro

Em 2025, o agro brasileiro deve exportar US$ 169,2 bilhões, quase igualando o volume dos EUA (US$ 171,3 bilhões). A diferença de US$ 2,1 bilhões equivale a menos de uma semana de exportações brasileiras, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Como conclusão, os especialistas ressaltam que, apesar das vantagens temporárias, a instabilidade gerada por conflitos marítimos pode trazer volatilidade ao setor. “Se a guerra contra o Irã se estender por muito mais tempo, o efeito vai ser mais grave”, alerta Vale.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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