Nos últimos dias, o Ministro Alexandre de Almeida Boulos e o ex‑ministro Fernando Haddad se tornaram os principais críticos de duas das maiores empresas de tecnologia do país. Boulos acusou o iFood de práticas comparáveis ao apartheid sul‑africano, enquanto Haddad alegou que o Nubank, assim como outras fintechs, paga menos impostos que os bancos tradicionais.

Essas declarações inserem iFood e Nubank em um novo discurso oficial, que antes celebrava os chamados “campeões nacionais” – empresas apoiadas pelo Estado para impulsionar a economia, como JBS e Odebrecht. Agora, os chamados “unicórnios” são retratados como ameaças à soberania e ao emprego.

O cenário reflete uma mudança de postura: o governo, embora mantenha alianças com algumas companhias estrangeiras, como plataformas chinesas de delivery, passa a considerar as startups brasileiras como vilãs que precisam ser reguladas ou taxadas mais rigorosamente. Fonte: Estadão.

O que está por trás da hostilidade contra iFood e Nubank?

História dos “campeões nacionais” e o novo tratamento dos unicórnios

Durante a década de 2000, o Estado brasileiro adotou um modelo inspirado na Coreia do Sul, oferecendo empréstimos baratos, proteção contra concorrência externa e estímulos fiscais a grandes empresas. Caso emblemáticos foram JBS e Odebrecht, cujos sucessos foram vistos como motores de crescimento.

As acusações de Boulos e Haddad

Boulos, ao gravar um vídeo comparando o iFood ao apartheid, buscou chamar a atenção para as condições de trabalho dos entregadores, que segundo ele enfrentam exploração. Haddad, por sua vez, afirmou que fintechs como o Nubank pagam menos tributos que os bancos tradicionais, insinuando uma distorção no sistema fiscal.

Impactos potenciais das medidas governamentais

Se o governo avançar com regulamentações mais duras, pode haver risco ao crescimento do emprego no setor de delivery e à expansão das fintechs. A taxação maior pode também reduzir a competitividade das startups frente a bancos internacionais.

O papel das empresas estrangeiras no mercado brasileiro

Curiosamente, enquanto iFood e Nubank são alvos de críticas, o governo tem recebido de braços abertos empresas chinesas de delivery, que chegam ao país sem tradição de engajamento em direitos trabalhistas e já realizaram demissões em massa.

Em síntese, a disputa entre o apoio estatal tradicional e a nova retórica contra os unicórnios revela uma tensão entre inovação tecnológica e políticas de soberania econômica. A fonte original da matéria é a Estadão.

You May Also Like
Pedidos de indenização à União por bancos liquidados somam R$ 17 bi e reforçam temor com caso Master

Pedidos de indenização à União por bancos liquidados somam R$ 17 bi e reforçam temor com caso Master

Fraudes do Banco Master foram similares ao Cruzeiro do Sul e Econômico,…
Câmara aprova taxa de fiscalização da ANP e ampliação de penas a infrações sobre combustíveis

Câmara aprova taxa de fiscalização ANP que aumentará multas e financiará a agência a partir de 2027

Entenda como a nova Taxa de Fiscalização e Serviços (TFS-ANP) vai impactar o setor de petróleo, gás e biocombustíveis
Medidas parafiscais somaram R$ 220 bilhões em 2025

Como a teoria de stewardship pode transformar a governança dos hospitais de excelência no Brasil e garantir sustentabilidade financeira e social

Entenda por que adotar a teoria de stewardship é o caminho para hospitais brasileiros equilibrar missão humanitária e desafios econômicos
Girassol Agrícola investe no plantio de eucalipto

Eucalipto rende o dobro da soja? Veja por que esta gigante do agro investe pesado em florestas!

A Girassol Agrícola expande o cultivo de eucalipto em Mato Grosso, visando o mercado de biomassa e lucros maiores que os grãos.