As negociações entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Paquistão, encerraram sem acordo após mais de 20 horas de conversas. A falha nas tratativas reacendeu temores sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota que concentra cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.

Logo depois, o preço do barril ultrapassou a marca dos US$ 100, sinalizando que os mercados globais já sentem o efeito da possível interrupção. Para o Brasil, que depende fortemente de importações de diesel e fertilizantes, o risco de alta nos custos energéticos pode mexer na inflação e na atividade econômica.

Especialistas em energia, economia e relações internacionais alertam que o país precisa buscar alternativas e reduzir a vulnerabilidade a choques externos, lembrando medidas adotadas durante a pandemia de Covid‑19. (conforme divulgado pelo Estadão)

Impactos imediatos do impasse entre Irã e Estados Unidos nas cadeias produtivas brasileiras

Escassez de combustível eleva custos de produção

Com o fracasso nas negociações, petroleiros já evitam o Estreito, provocando alta rápida no preço do barril, que chegou a US$ 104. David Zylbersztajn, ex‑diretor da ANP e professor da PUC‑Rio, explica que não só o petróleo, mas também o gás natural liquefeito e insumos petroquímicos ligados a fertilizantes e mineração podem ficar mais escassos.

Pressão inflacionária sobre transporte e agricultura

O aumento dos combustíveis eleva os custos de transporte, seguro e produção industrial. Zylbersztajn afirma que “os preços vão subir no mundo inteiro, porque os combustíveis têm um peso na inflação, e os produtos que são produzidos com eles também”.

Redução da margem de manobra monetária global

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, destaca que, diferentemente da pandemia, hoje a inflação já está acima da meta e os juros permanecem altos, reduzindo o espaço para estímulos monetários. Ele recomenda que o Brasil crie estoques estratégicos de diesel e firme contratos de longo prazo com fornecedores fora da zona de risco.

Risco à segurança alimentar e ao agronegócio

Com mais de 85% dos fertilizantes importados, o Brasil pode enfrentar escassez se a rota permanecer bloqueada. Aragão sugere diversificar importações, reforçar laços com Emirados Árabes, Arábia Saudita, Marrocos, Rússia e Canadá, além de explorar o oleoduto leste‑oeste que contorna Ormuz.

Além disso, a crise pode abrir oportunidades para o etanol, que ganha competitividade frente à gasolina, e para exportadores caso o câmbio se desvalorize.

Analistas apontam que, se o bloqueio se prolongar além de 45 dias, o Brasil poderá entrar em um regime de “inflação importada” que afetará diretamente a eleição presidencial de outubro.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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