Os royalties do petróleo têm impulsionado a arrecadação de estados e municípios, sobretudo com a alta recente dos preços do combustível. Contudo, esse ganho financeiro não tem se traduzido em melhorias concretas para a população.

Um levantamento da Agenda Pública, divulgado neste ano, analisou os 51 municípios que mais receberam royalties em 2024 e constatou que nenhum deles apresentou um elevado nível de qualidade de vida, segundo o Índice de Condições de Vida (ICV). A pesquisa aponta que a maioria das cidades ficou entre 0,4 e 0,6 na escala de 0 a 1, onde valores acima de 0,7 indicam alta qualidade de vida.

Os resultados sugerem que a simples presença de recursos financeiros não basta; a gestão eficiente e a qualidade institucional são fundamentais para transformar receita em bem‑estar. (conforme divulgado pelo Estadao)

Royalties e qualidade de vida: o que os números mostram

Índice de Condições de Vida e a realidade dos municípios

O estudo classificou o ICV em oito dimensões temáticas, como saúde, educação, infraestrutura e meio ambiente. Mesmo com recursos extras, a maioria das cidades analisadas obteve pontuações medianas, indicando que os investimentos não têm sido suficientes para elevar o padrão de vida.

Casos de destaque e lições de gestão

Segundo Sergio Andrade, diretor‑executivo da Agenda Pública, “essa receita toda não significa um resultado social maior necessariamente”. Ele destaca que municípios como Linhares (ES), Araucária (PR), Resende (RJ), Ilhabela (SP) e Volta Redonda (RJ) foram os melhor avaliados, graças à continuidade administrativa e equipes capazes de organizar políticas públicas.

Desafios sociais nas cidades produtoras de petróleo

A explosão demográfica causada pela exploração do petróleo aumenta a demanda por serviços básicos e eleva a violência. Em Campo dos Goytacazes, homicídios cresceram 123% entre 1997 e 2016, enquanto a população subiu 24%. O pesquisador Rodrigo Soares, do Insper, observa que a mão de obra jovem e predominantemente masculina atrai mais criminalidade, e que o uso dos recursos costuma ser mais clientelista.

Como garantir um uso sustentável dos royalties

Especialistas recomendam separar receitas extraordinárias de despesas permanentes. O economista Ítalo Franca, do Santander, alerta contra a incorporação de ganhos temporários ao orçamento estrutural, sugerindo investimentos em infraestrutura, educação técnica, saúde preventiva e diversificação econômica.

A gerente da Firjan, Karine Fragoso, reforça a importância de fundos soberanos para amortecer a volatilidade dos preços do petróleo. Exemplos como Saquarema, que planeja usar parte dos royalties para turismo e eventos esportivos, mostram estratégias de redução da dependência do recurso.

Em síntese, o aumento da arrecadação com royalties não garante, por si só, melhorias na qualidade de vida. É preciso fortalecer instituições, planejar investimentos de longo prazo e criar reservas financeiras para enfrentar períodos de queda nos preços do petróleo.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Crise em Ormuz pode se transformar em catástrofe para o sistema agroalimentar global, diz FAO

Gargalos marítimos globais e riscos ao agro brasileiro: como a crise no Estreito de Ormuz pode elevar a inflação dos alimentos

Entenda o impacto do bloqueio de Ormuz nos insumos agrícolas e nas cadeias produtivas do Brasil
Governo deve publicar MP de subvenção do diesel, e Estados iniciam adesão; veja principais pontos

Subvenção do Óleo Diesel de R$ 1,20: Entenda como a Medida Provisória avança com adesão de Estados e o que muda para o consumidor

Governo Federal prepara publicação de MP para aliviar o preço do combustível, com participação dos Estados
Por que cortar juros é uma tarefa difícil nos EUA e no Brasil

Impacto dos conflitos no Oriente Médio coloca pressão sobre a inflação e a política de juros no Brasil e nos Estados Unidos

Entenda como a instabilidade global e as decisões dos bancos centrais moldam o cenário econômico atual e afetam o custo do crédito
PIB: Brasil deixa grupo das 10 maiores economias do mundo em 2025; veja ranking

FMI eleva projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026 devido à guerra no Oriente Médio e destaca desafios para 2027

Entenda como o Fundo Monetário Internacional ajustou suas previsões econômicas para o Brasil e o mundo