O início de 2026 traz um panorama dividido para o crédito imobiliário com fundo da caderneta de poupança. Enquanto a Caixa Econômica Federal ampliou consideravelmente os financiamentos nos primeiros dois meses do ano, os bancos privados reduziram a oferta, adotando postura mais cautelosa.

O cenário se baseia no novo modelo de crédito imobiliário anunciado pelo governo federal no final de 2025, que busca estimular a classe média ao alterar a destinação dos recursos da poupança. Antes, 65% desses recursos eram obrigados ao crédito imobiliário, 20% mantidos como depósitos compulsórios e 15% livres.

Com as mudanças, a parcela destinada ao crédito sobe para 80% ao longo de dez anos, e o compulsório foi reduzido de 20% para 15% nesta fase inicial, desde que os bancos direcionem os fundos ao financiamento habitacional, conforme divulgado pelo Estadão.

Caixa acelera o crédito e flexibiliza regras de contratação

Roberto Ceratto, diretor de Habitação da Caixa, afirmou que a liberação de 5% do compulsório gerou estímulo para colocar recurso adicional no mercado, impulsionando as contratações no primeiro trimestre. Em março, a estatal retomou o financiamento de imóveis residenciais acima de R$ 2,25 milhões, oferta que estava suspensa desde 2024 por escassez de recursos, e devolveu a possibilidade de conceder mais de um financiamento por pessoa.

Impacto nas taxas de juros

Apesar da abertura de cortes da Selic pelo Copom, a Caixa manteve as taxas de juros do crédito imobiliário estáveis desde o ano passado. Ceratto garante que a política de menores taxas permanece, a menos que ocorram mudanças disruptivas no ajuste da taxa pelo Banco Central.

Bancos privados: cautela e desafios de ALM

Romero Albuquerque, diretor de crédito imobiliário do Bradesco, demonstra otimismo, mas alerta para o teto de 12% de juros no SFH, que pode gerar distorções. O novo modelo também impõe uma gestão de passivos e ativos (ALM) mais complexa, exigindo instrumentos de mercado sofisticados e potencialmente aumentando custos para as tesourarias.

Previsões para 2026

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) projeta um crescimento de 15% no volume de financiamentos imobiliários com recursos da poupança ao longo do ano. O Bradesco e o Santander já reduziram suas taxas em cerca de 0,3 a 0,4 ponto percentual, porém mantêm expectativas de estabilidade nas taxas até o final de 2026.

Em março, o Banco Central baixou a Selic para 14,75%, mas a instabilidade internacional, como o conflito no Irã, mantém incertezas sobre os próximos passos da política monetária.

A fonte original da matéria é Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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