Grandes montadoras da China estão avançando rapidamente no mercado brasileiro, criando submarcas independentes com planos de produção local. No último ano, a participação dessas marcas nas vendas de automóveis e comerciais leves subiu de 10,2% para 14% no primeiro trimestre de 2024. A estratégia visa ganhar espaço antes que concorrentes ocupem o mesmo nicho, segundo especialistas citados pelo Estadão.

Até o momento, pelo menos dez submarcas chegaram ao país, vinculadas a grupos como Geely, Chery e BYD. Entre elas, destacam‑se Denza, Omoda, Jaecoo, Jetour, Zeekr, Riddara, Farizon, Aion, Hyptec e Avatr, com a maioria planejando montar fábricas próprias ou usar instalações de parceiros locais.

Consultorias apontam que as marcas chinesas podem representar 30% das vendas de veículos no Brasil em 2030 e 35% em 2035, reforçando a importância da estratégia de produção local e da adoção de tecnologias compartilhadas entre as matrizes e suas submarcas.

Expansão das submarcas chinesas: foco em SUVs e produção local

Marcas e modelos que chegam ao país

As submarcas chegam com diferentes abordagens: algumas buscam fábricas prontas, outras firmam parcerias com empresas tradicionais e algumas optam por terceirizar montagem em formato SKD ou CKD, onde os veículos são importados semidesmontados e finalizados no Brasil. O foco atual são SUVs com preços entre R$ 160 mil e R$ 300 mil, segmento que responde por 58% das vendas de automóveis.

Investimentos em produção e parcerias estratégicas

A BYD já produz em Camaçari (BA) e planeja tornar‑se líder de mercado até 2030, enquanto a Geely adquiriu 26,4% da Renault do Brasil e iniciará produção do SUV híbrido EX5 em São José dos Pinhais (PR). A Chery, através das marcas Omoda & Jaecoo, avalia usar a antiga fábrica da Caoa Chery em Jacareí (SP). A GWM, por sua vez, prepara a segunda fábrica em Aracruz (ES).

Desafios e expectativa de crescimento

Especialistas alertam para a saturação do mercado: “É muita marca e, definitivamente, não há espaço para todas”, afirma Milad Kalume Neto, da consultoria K.Lume. Contudo, Rogélio Golfarb, da ZAG Work, acredita que as empresas de peso permanecerão e que a diferenciação será crucial. A retomada integral do imposto de importação de 35% e o fim da isenção fiscal para SKDs/CKDs adicionam complexidade ao cenário.

Perspectivas de futuro e expansão internacional

Além do Brasil, as marcas chinesas miram expansão para México, Argentina e outros mercados latino‑americanos, aproveitando a escala para reduzir custos e aumentar a competitividade. A tendência é que, nos próximos anos, mais submarcas cheguem ao país, consolidando a presença da China no setor automotivo brasileiro.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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