Há 17 anos surgiu na internet um artigo técnico de nove páginas que deu origem ao Bitcoin, a primeira moeda digital descentralizada. Desde então, o mistério sobre a identidade do seu criador, que usa o pseudônimo Satoshi Nakamoto, tem intrigado investidores, reguladores e jornalistas.

Um time do The New York Times dedicou mais de um ano analisando milhares de postagens antigas, combinando investigação humana e análise assistida por computador, para tentar desvendar esse enigma.

Com base nas evidências reunidas, o repórter John Carreyrou sugeriu que Adam Back, renomado criptógrafo britânico, seria o provável autor do documento original, embora o próprio Back tenha negado a acusação, atribuindo tudo a coincidências, conforme divulgado pelo Estadão.

Back propôs quase todas as funcionalidades que apareceram no Bitcoin

Conexões iniciais com o movimento Cypherpunk

Nos anos 1990, Back e Satoshi fizeram parte dos Cypherpunks, grupo que defendia o uso da criptografia para garantir liberdade contra vigilância estatal. Em e‑mails trocados com outros membros, Back sugeriu a criação de um dinheiro eletrônico descentralizado, descrevendo uma rede de nós capaz de resistir a tentativas de controle.

Invenções que antecederam o Bitcoin

Back desenvolveu o Hashcash, um sistema de resolução de quebra‑cabeças que, combinado com a proposta de dinheiro eletrônico “b‑money”, serviu de modelo para a arquitetura do Bitcoin apresentada por Satoshi.

Semelhanças marcantes entre Back e Satoshi

Back possui doutorado em sistemas computacionais distribuídos – a mesma base tecnológica do Bitcoin – e utilizou a mesma linguagem de programação que Satoshi empregou. Ambos eram especialistas em segurança de redes, criptografia de chave pública e estavam preocupados com o combate ao spam de e‑mail.

Além disso, tanto Back quanto Satoshi preferiam operar sob pseudônimos e afirmavam ser melhores programadores que escritores.

Quando Satoshi surgiu, Back estava ausente

Satoshi divulgou o Bitcoin em 2008 e desapareceu da cena pública em 2011. Curiosamente, Back seguia um padrão inverso: durante a década de 1990 ele era ativo nos debates sobre dinheiro eletrônico, mas não havia deixado registro quando o Bitcoin foi anunciado. Seis semanas após o desaparecimento de Satoshi, Back publicou seu primeiro comentário sobre a moeda.

Análise de escrita aponta Back como o autor

Os investigadores compararam textos de três listas de discussão dos Cypherpunks com o conjunto de mensagens de Satoshi. Três métodos diferentes de análise linguística apontaram Back como a correspondência mais próxima.

Detalhes como o uso de dois espaços entre frases, ortografia britânica, confusão entre “it’s” e “its”, e a forma como escrevia termos como “bugfix”, “double‑spending” e variações entre “e‑mail” e “email” apareceram exclusivamente nos textos de Back.

Assim, a pesquisa do New York Times levanta fortes indícios de que Adam Back poderia ser Satoshi Nakamoto, embora ele continue a negar a acusação.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Tecnologia inédita para suportar novos data centers será inaugurada em São Paulo

São Paulo lança tecnologia inédita para suportar data centers e modernizar a rede elétrica no estado

O sistema Dynamic Line Rating (DLR) utiliza sensores climáticos para aumentar a capacidade de transmissão de energia sem novas obras.
Quem é Borge Brende, presidente do Fórum Econômico Mundial que renunciou após vínculos com Epstein

Quem é Borge Brende, presidente do Fórum Econômico Mundial que renunciou após vínculos com Epstein

Borge Brende anunciou nesta quinta-feira, 26, sua renúncia ao cargo de presidente…
BRB deve ser comunicado de multa diária do BC por descumprir prazo para balanço

BRB Sob Pressão: Banco Central Aplica Multa Diária por Atraso em Balanço e Futuro da Instituição é Incerto Após Caso Master

Atraso na divulgação do balanço do BRB gera preocupação e pode levar a sanções do BC e CVM, com capitalização urgente em pauta.
Advogado preso pela PF atuou em tentativa de venda do Master à Fictor

Advogado Daniel Monteiro é preso pela PF por suposta participação em esquema de propina ao ex‑presidente do BRB e tentativa de venda do Banco Master à Fictor

Detalhes da operação, envolvimento de Daniel Vorcaro e impactos na negociação do Master revelados por documentos do Estadão