O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, estiveram sob os holofotes devido a uma série de viagens aéreas. Aeronaves de empresas associadas a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foram utilizadas nessas deslocações, gerando um custo estimado de milhões de reais.

A prática de compensação por honorários advocatícios levanta discussões sobre a transparência e as conexões entre figuras do judiciário e do setor financeiro. O banqueiro Daniel Vorcaro, por sua vez, está envolvido em investigações sérias, adensando o cenário de controvérsia em torno desses voos.

Essas revelações apontam para uma intrincada teia de relações e finanças, que agora é esmiuçada pela opinião pública, conforme divulgado pelo Estadão.

Valores Milionários: Os Custos dos Voos e as Conexões com o Banco Master

Um levantamento exclusivo do Estadão revelou que os voos realizados por Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes em aeronaves de empresas ligadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, podem ter custado até R$ 290 mil por itinerário. Foram identificadas pelo menos oito viagens entre maio e outubro do ano passado, partindo de Brasília com destino a São Paulo, que, somadas, poderiam totalizar mais de R$ 1 milhão.

O pagamento dessas viagens, segundo nota do escritório de Viviane Barci, foi feito “compensando os honorários advocatícios nos termos contratuais”. Naquele período, o escritório mantinha um contrato de prestação de serviços com o Banco Master, adicionando uma camada de complexidade à situação.

O Padrão dos Voos e as Aeronaves Envolvidas

Das oito viagens aéreas registradas, sete foram realizadas em jatos da empresa Prime Aviation, que possui vínculos com Daniel Vorcaro. Uma das viagens ocorreu em uma aeronave da FSW SPE, uma sociedade na qual Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é sócio. É importante notar que “em nenhum dos voos em aeronaves da Prime Aviation em que viajaram integrantes do escritório, no entanto, estiveram presentes Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel”, conforme a nota do escritório de Viviane Barci.

Os custos para os voos entre Brasília e São Paulo variaram consideravelmente. Aeronaves Phenom 300, com capacidade para até 10 passageiros, da Prime Aviation, custam em média entre R$ 106 mil e R$ 136 mil. Modelos Phenom 100 (até 7 pessoas) e Legacy 650 (até 14 pessoas) apresentaram valores médios de R$ 77,4 mil e R$ 290 mil, respectivamente, para o mesmo trajeto. Esses dados foram fornecidos por um analista de fretamento aéreo consultado pelo Estadão.

Contrato de Honorários e Valores Questionados

O casal também utilizou um avião Falcon 2000, da FSW, empresa de Zettel. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave Falcon 2000 não possui autorização para realizar táxi aéreo, ou seja, não deveria transportar passageiros. Diante da falta de autorização, a cotação para este modelo foi baseada em uma aeronave similar, a Hawker 850XP, com um custo estimado de R$ 157,6 mil.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes tinha um contrato milionário de prestação de serviços para o Banco Master na época das viagens. Informações divulgadas pelo jornal O Globo indicam que esse contrato somava R$ 129 milhões por um período de três anos. Advogados consultados pelo Estadão apontaram que os valores envolvidos nesse acordo estavam “muito acima da média cobrada pelo mercado” para os serviços descritos, que incluíam a produção de pareceres jurídicos e revisão de regras internas.

As Implicações das Viagens e a Situação de Daniel Vorcaro

As viagens reforçam os laços que vêm sendo investigados entre o ministro do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro. Vorcaro foi preso em 4 de março, no âmbito da Operação Compliance Zero, e está sendo investigado por gestão fraudulenta e pela venda de R$ 12 bilhões em “títulos podres” ao Banco de Brasília (BRB). Essa conexão é um dos pontos cruciais que aprofundam a controvérsia em torno dos voos e do contrato.

O Silêncio das Partes Diante das Revelações

Procurados para comentar sobre os valores e as circunstâncias das viagens, o ministro Alexandre de Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes optaram por não se pronunciar. A defesa de Daniel Vorcaro também preferiu não emitir comentários sobre o assunto, enquanto a defesa de Fabiano Zettel não respondeu aos questionamentos apresentados pela reportagem do Estadão, mantendo um cenário de silêncio oficial.

A fonte original desta matéria é o Estadão. Você pode ler a íntegra da reportagem em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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