Depois de quase cem anos de história, a Unilever está prestes a mudar radicalmente seu modelo de negócios. Em 20 de março, a empresa britânica revelou que está avaliando a venda de seu portfólio restante de produtos alimentícios, incluindo a maionese Hellmann’s, as sopas Knorr e o Marmite, para a fabricante americana de especiarias McCormick. A medida segue a desintegração da divisão de sorvetes realizada no ano passado e indica um novo foco em higiene pessoal e limpeza doméstica.

O movimento ocorre em um contexto de pressão crescente sobre o setor de alimentos industrializados. O índice S&P 500 registrou queda de um terço no valor das empresas de alimentos embalados desde o pico em meados de 2023, apesar do desempenho positivo do índice geral. Analistas do banco de investimentos TD Cowen apontam que, entre 2021 e 2024, as grandes marcas elevaram seus preços nos Estados Unidos em 11 pontos percentuais acima da inflação, mas ainda enfrentam concorrência de marcas próprias e novos entrantes.

Além das questões de preço, o consumidor está cada vez mais consciente da saúde, impulsionando buscas globais por alimentos ultraprocessados que aumentaram 30 vezes desde 2022. Regulamentações como a proibição de vales-alimentação para doces em cinco estados americanos e restrições à publicidade de produtos não saudáveis no Reino Unido reforçam o cenário de desafio para as gigantes alimentícias. Fonte: Estadão

Unilever avalia venda de ativos alimentícios para a McCormick

Motivos da decisão

A Unilever busca simplificar sua estrutura e concentrar recursos nos segmentos de higiene e limpeza, onde detém liderança de mercado. A saída da divisão de sorvetes no ano passado já havia sinalizado a intenção de desinvestir em alimentos, e a possível transferência de marcas como Hellmann’s e Knorr para a McCormick representa um passo definitivo rumo à especialização.

Impactos no mercado de alimentos

Com a venda, a Unilever deixaria de concorrer diretamente com concorrentes como Kraft Heinz, que também enfrenta pressões para reavaliar sua estratégia após anunciar, e suspender, uma divisão interna. A perda de um portfólio robusto pode acelerar a concentração de poder em empresas que já dominam o segmento de marcas próprias de varejo, como Costco e Aldi.

Desafios de preço e inflação

Nos últimos anos, a indústria de alimentos conseguiu repassar aumentos de custos aos consumidores, mas a atual combinação de guerra no Oriente Médio, alta nos preços de energia e possíveis elevações nos custos de embalagens plásticas torna mais difícil manter margens sem comprometer a demanda. O contexto inflacionário ainda testa a paciência dos consumidores, que já enfrentam restrições de compra em programas como os vales-alimentação.

Tendência de saudabilidade e medicamentos para emagrecer

O interesse crescente por alimentação saudável está sendo alimentado por campanhas de ativistas e por pesquisas que mostram aumento de buscas online por alimentos ultraprocessados. Medicamentos para emagrecer, como Wegovy e Zepbound, podem reduzir em até 12 bilhões de dólares as vendas de salgadinhos nos próximos dez anos, pressionando ainda mais os produtores de snacks. Empresas como Nestlé e Danone já anunciaram mudanças estratégicas, incluindo a venda de suas divisões de sorvetes e a aquisição de marcas focadas em refeições substitutas.

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Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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