As investigações sobre o caso Master avançam e começam a desvendar a complexa teia que sustentou a maior fraude financeira já praticada no País, segundo autoridades. O banco Master teria comprado precatórios e outros ativos por valores muito abaixo do mercado, desviando recursos para contas no exterior.

O esquema utilizou fundos de fachada, como o CARE11 e o Hans 95, além de empresas de fachada, para inflar artificialmente o valor dos ativos e criar a ilusão de rentabilidade. A operação foi facilitada por falhas na comunicação entre o Banco Central, a CVM, o Coaf e auditorias independentes.

Com o desdobramento da Operação Carbono Oculto, as autoridades identificaram a saída de cerca de R$ 700 milhões para paraísos fiscais, revelando fragilidades graves na fiscalização do sistema financeiro brasileiro. (Estadão)

Como o Master criou a ilusão de um parque de diversões

Atrações de fachada

O Banco Master captava recursos de investidores e, em vez de conceder empréstimos, comprava ativos de baixo valor – precatórios, empresas de fachada e terrenos – que eram inseridos em fundos como o CARE11. Esses ativos eram superavaliados, como o Cemitério Parque da Colina, com laudos que inflaram o preço em R$ 181 milhões, embora a CVM tenha revisado para baixo.

O carrossel infinito

Fundos como o Brain Cash, gerido pela Reag Investimentos, multiplicaram seu patrimônio em 3.000.000% em apenas 20 dias, ao receber empréstimos do Master e reinvestir o dinheiro em CDBs do próprio banco. O dinheiro girava internamente, criando um “lucro” aparente que inflava o balanço e o índice de Basileia.

O ralo sob as engrenagens

O Hans 95, fundo habilitado a investir no exterior, foi usado para enviar cerca de R$ 700 milhões a paraísos fiscais (Cayman, Delaware, Ilhas Virgens, Panamá). Parte desses recursos retornava ao Brasil como Investimento Estrangeiro Direto, mascarando a origem ilícita.

Fragilidades na fiscalização

Especialistas apontam que o caso expôs “zonas cinzentas” e a falta de comunicação entre Banco Central, CVM e Coaf. A primeira suspeita do BC surgiu apenas após detectar uma carteira de crédito falsa de R$ 12 bilhões para o Banco de Brasília.

A fonte original da matéria é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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