Juros x Inflação: Entenda a relação entre eles

Crédito: Larissa Burchard/Laís Nagayama

Os juros no maior nível dos últimos 20 anos foram um balde de água fria na indústria de eletroeletrônicos em 2025, que registrou queda nas vendas. A continuidade do cenário de juro alto e o estrago que ele pode causar nas vendas ao longo deste ano — apesar de 2026 ter Copa do Mundo, época em que tradicionalmente o segmento de TVs ganha um impulso extra — preocupam o setor.

Depois de bater o recorde em 2024, com crescimento de 38% no número de eletroeletrônicos comercializados das indústrias para o varejo, os fabricantes do setor registraram queda de 1% nos volumes vendidos em 2025 em relação ao ano anterior, aponta levantamento da Eletros, associação das indústrias do setor. A expectativa era ter crescido entre 5% e 10% em 2025.

Pesaram nessa freada a linha branca, que reúne geladeiras, fogões e lavadoras, cujas vendas caíram 1% em 2025, e os eletroportáteis, que tiveram retração de 4% no mesmo período. Em 2024, a linha branca tinha crescido 23% ante o ano anterior e os portáteis tinham registrado alta de 44%, na mesma base de comparação.

No sentido contrário, em 2025 houve crescimento de 16% nas vendas de aparelhos de ar-condicionado, alta de 10% nos volumes de itens de tecnologia da informação, como monitores, por exemplo, e aumento de 3% na linha marrom, que reúne aparelhos de áudio e vídeo.

Apesar de essas três últimas linhas terem apresentado resultados positivos, o desempenho foi insuficiente para reverter a queda nas vendas gerais do setor. É que os eletrodomésticos da linha branca e os eletroportáteis respondem pela maior parte dos volumes.

José Jorge do Nascimento, presidente executivo da Eletros, que representa as principais indústrias de eletroeletrônicos, diz que o fator preponderante para o fraco desempenho em 2025 foi o juro elevado, que afetou a linha branca, normalmente comprada a prazo pelos consumidores. Mas ele acrescenta que o verão fraco também prejudicou o resultado das vendas. “O verão não tão forte também influencia o consumo de linha branca, refrigerador, cervejeira, adega, freezers, por exemplo”, afirma.

No caso dos eletroportáteis, o executivo diz que o segmento foi prejudicado pela entrada de produtos contrabandeados, que competem no mercado brasileiro com os eletroportáteis legais.

“Fizemos no ano passado um trabalho com o Inmetro para tentar controlar a entrada de produtos não certificados, produtos que entram pelos marketplaces sem as mesmas regras de eficiência, segurança elétrica, pagamento de impostos que a gente tem na indústria nacional”, conta Nascimento.

Perspectiva para 2026

Para este ano, o cenário é moderado. A Eletros projeta crescimento do setor como um todo entre 3% e 5%. “Estamos conservadores”, diz o presidente da Eletros, lembrando que o verão fraco deste ano pode afetar o setor de ar-condicionado e de linha branca.

Nascimento não descarta, no entanto, a possibilidade de que as vendas de TVs por causa da Copa possam “salvar” o setor em 2026. Por ora, a expectativa é de aumento de 10% nas vendas de televisores para este ano.

Os juros elevados têm sido apontados como a pedra no caminho por várias empresas no País para justificar pedidos de recuperação judicial e extrajudicial. No setor de eletroeletrônicos, no entanto, grandes companhias seguem anunciando investimentos e lançamentos de produtos, mesmo com um cenário mais difícil de vendas registrado no ano passado.

Quanto aos impactos da guerra do Oriente Médio, que já completa um mês no setor eletroeletrônico, Nascimento diz que não houve reflexo por enquanto, mas que deve chegar aos fabricantes.

“Estamos monitorando e deve ter uma escalada inflacionária por conta desse aumento do petróleo e do frete”, diz. O executivo observa que boa parte dos insumos usados pelo setor são importados, o que deve impactar os preços dos eletroeletrônicos, a depender da duração do conflito.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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