PIB já não influencia mais a popularidade: é hora de medir o bem-estar da população

No programa desta semana, o colunista fala de um Projeto de Lei da deputada Tabata Amaral que propõe a apuração sobre a satisfação de vida do brasileiro. Crédito: Isabella Almada/Estadão

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu sua previsão de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano e no próximo, mencionando os riscos gerados pela atual guerra no Oriente Médio em seu relatório interino de Perspectivas Econômicas Globais de março, divulgado nesta quinta-feira, 26. Por outro lado, as projeções para a inflação cheia brasileira caíram em 2026.

Segundo o relatório, o PIB do Brasil deve desacelerar de 2,3% em 2025 para 1,5% em 2026, antes de retomar fôlego e acelerar a 2,1% em 2027. Os números estão abaixo do relatório trimestral de dezembro, que previa avanços de 1,7% e 2,2%, respectivamente.

Já a inflação brasileira deve desacelerar de 5% no ano passado para 4,1% neste, ligeira revisão para baixo da estimativa anterior, de 4,2%. A previsão para a inflação no próximo ano permaneceu estável em 3,8%.

Em outras regiões da América Latina, destacam-se as projeções da OCDE para a Argentina. A organização também cortou as previsões de crescimento econômico, mas elevou acentuadamente sua estimativa para os preços.

Conforme o relatório, o PIB argentino deve desacelerar de 4,4% no ano passado para 2,8% em 2026 e acelerar a 3,5% em 2027, ante 3% e 3,9% em dezembro, nesta ordem. Já a inflação deve disparar 13,7 pontos porcentuais (p.p.) neste ano, a 31,3%, antes de arrefecer para 14,1% no próximo ano — acima dos 10% esperados anteriormente.

A OCDE não detalhou no relatório os motivos que levaram à revisão específica para as projeções de cada país. Contudo, a organização destaca que o aumento dos preços de energia pode contribuir para manter níveis elevados de inflação globalmente.

O relatório aponta que o Brasil também está entre os países com ampla dependência do Oriente Médio para importações de fertilizantes e entre aqueles em que a inflação segue acima da meta do Banco Central. Apesar de ter elevado as previsões de preços para a Argentina, a OCDE espera uma moderação da inflação até 2027 junto a outras economias emergentes, incluindo Brasil, México, Indonésia e África do Sul.

Assim que houver uma moderação na inflação, as taxas de juros devem cair no Brasil, México, África do Sul e Turquia, estima a organização.

PIB global

A OCDE projeta que o crescimento do PIB global seja de 2,9% neste ano e 3% no próximo. O resultado representa manutenção das estimativas para 2026, mas redução de 0,1 ponto porcentual (p.p.) nos cálculos para 2027, em comparação ao relatório de dezembro.

A instituição aponta que isso reflete o equilíbrio de diversas forças. Segundo o organismo, os preços mais altos da energia e dos fertilizantes, bem como a natureza imprevisível do conflito em evolução no Oriente Médio, aumentarão a inflação e afetarão a demanda.

Assim, o movimento “compensará o impulso de crescimento proveniente da forte continuidade dos investimentos e da produção relacionados à tecnologia, das taxas tarifárias efetivas mais baixas do que o previsto anteriormente, das políticas fiscais e monetárias amplamente favoráveis e dos resultados mais fortes do que o esperado no segundo semestre de 2025 em muitos países”, aponta a OCDE.

Indicadores para os primeiros meses deste ano sugerem que o crescimento global permaneceu sólido tanto no setor de serviços quanto no setor manufatureiro, com a produção industrial relacionada à tecnologia continuando a crescer rapidamente, especialmente na Ásia e nos Estados Unidos, aponta. A instituição pontua que as intenções de investimento de capital para 2026 das grandes empresas de tecnologia listadas em bolsa nos EUA e na China também aumentaram ainda mais.

O crescimento global se manteve sólido em 2025, expandindo a uma taxa anualizada de 3,5% no segundo semestre do ano, um pouco mais forte do que projetado nas perspectivas econômicas de dezembro. A instituição aponta que o consumo privado e o investimento foram os principais impulsionadores em muitas economias, com condições financeiras e fiscais favoráveis contribuindo para o aumento da demanda por tecnologias de IA, com destaque para os Estados Unidos.

Entre os países do G20, a expectativa é de moderação no crescimento, que deve desacelerar para 3% em 2026, com leve alteração no panorama de 2,9% de dezembro. Para o ano que vem, a expansão do PIB projetada é de 3%, ante 3,1% no último relatório./Com Matheus Andrade

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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