A Brado, empresa de logística multimodal controlada pela Rumo, ajusta a rota para um novo ciclo de expansão neste ano. Encerrou 2025 com uma receita operacional líquida de R$ 790 milhões, 16% acima do ano anterior.

A meta para 2026 é mais modesta, dados os desafios para o setor. Espera crescer 11% em faturamento, com novas rotas e avanço em nichos estratégicos do agronegócio, como fertilizantes e DDG, subproduto rico em proteínas, fibras e energia resultante da produção de etanol de milho. “O plano é transportar 130 mil contêineres no ano, aumento de 9% em volume”, conta Luciano Johnsson, o CEO. Atualmente, o setor agropecuário representa 58% da carteira da Brado, com 115 clientes ativos.

Aposta na Ásia

O DDG transportado pela Brado saltou de 23,8 mil contêineres em 2024 para 55,5 mil em 2025. A previsão é de dobrar o volume em 2026. “O cliente asiático prefere receber o contêiner diretamente para fazer o blend da ração, e estamos aprendendo a armazenar esse produto para minimizar perdas”, conta o executivo.

De olho nos insumos

Do porto ao interior, a Brado acelera o passo no transporte de fertilizantes. A ideia é consolidar o domínio no fluxo para o Centro-Oeste, onde já detém 50% de market share. O volume de defensivos saltou 40%, de 61,4 mil contêineres em 2024 para 86,2 mil contêineres em 2025.

“Investimos R$ 270 milhões nos terminais de Sumaré (SP) e Rondonópolis (MT) para garantir bacias de contenção e segurança ambiental para essas cargas. A meta é crescer mais 30% neste segmento em 2026”, explica Johnsson.

Locomotiva verde

A MRS Logística, empresa que opera 1.643 quilômetros de malha ferroviária em Minas Gerais, Rio e São Paulo, concluiu testes com a maior locomotiva elétrica a baterias do mundo. Os experimentos com o modelo SD70J-BB, da Progress Rail, coletaram dados sobre consumo energético, tração e regeneração na malha da companhia. “Validamos premissas já estudadas, como o mapeamento energético da nossa malha”, diz Luís Deltregia, consultor de manutenção da MRS.

Abre o leque

A Verthic, consultoria socioambiental com atuação no Pará, quer se expandir no País mirando grandes empresas do agro, governos municipais da Região Norte e fundos climáticos. Para tanto, passou a ter como sócio Aldo Labaki, ex-gerente executivo da FGV Projetos. A consultoria executa atualmente dois contratos: um com a Norte Energia para produção de mudas em viveiro certificado com capacidade de 1 milhão de unidades por ano, válido até janeiro de 2028, e outro com a Conservation International e o ICMBio para monitoramento de regeneração natural em duas unidades de conservação.

Cartas na mão

Em 15 anos de operação, a Verthic atingiu faturamento acumulado de R$ 100 milhões. Nesse período, executou mais de 270 projetos em 11 terras indígenas na região de Altamira (PA), com a produção de 700 mil mudas de 88 espécies nativas e implantação de mais de 110 Sistemas Agroflorestais.

Ajuda

Promulgado no Brasil o acordo MercosulUnião Europeia, o setor produtivo quer discutir com o governo políticas públicas para elevar a competitividade e até compensações para os setores de lácteos e vinhos.

Os segmentos são considerados os mais expostos pela entrada dos similares europeus com tarifa reduzida. “São cadeias sensíveis, que exigem um olhar especial diante da abertura de mercado”, avalia representante de entidade do agronegócio. O setor pleiteia medidas que possam ampliar a proteção a essas cadeias dentro do previsto pela Organização Mundial do Comércio.

Não é bem assim

Há interesse comercial no rigor da China com a soja brasileira, avaliam integrantes do governo. O país asiático notificou o Brasil sobre a qualidade do grão, alegando impurezas e ervas daninhas nas cargas. Em resposta, o Ministério da Agricultura adotou inspeção adicional.

A medida é vista como barreira sanitária ao Brasil em meio às compras recordes de soja americana pela China e a busca por um acordo bilateral. A leitura é compartilhada por exportadores. “A questão fitossanitária é uma das alternativas para importadores chineses abrirem mais espaço para a soja americana”, diz executivo de multinacional.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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