A White Martins deu um passo importante na transição energética ao inaugurar, nesta quarta‑feira, 15, sua segunda fábrica de hidrogênio verde no Brasil. Localizada em Jacareí (SP), a unidade se destaca como a primeira instalação de escala industrial do país, superando a planta piloto já operando em Pernambuco.

Com capacidade para gerar 800 toneladas de hidrogênio por ano, a nova fábrica pode suprir uma indústria de porte médio por até 35 dias, segundo Gilney Bastos, presidente da White Martins e da Linde na América Latina. O projeto surge em meio a bloqueios globais na produção de energia limpa, mas o Brasil tem condições de oferecer um dos hidrogênios mais competitivos do mundo graças ao baixo custo da energia solar e eólica.

Conforme divulgado pelo Estadão, a iniciativa visa atender principalmente o mercado interno, já que a exportação ainda enfrenta desafios logísticos e de demanda internacional.

Detalhes da produção e clientes da planta de Jacareí

Capacidade e volume diário

A instalação de Jacareí produz 800 toneladas de hidrogênio verde ao ano, volume que equivale a um abastecimento de cerca de 35 dias para uma indústria de tamanho médio. Essa produção representa 75% a mais que a planta piloto de Pernambuco, que responde por 25% da capacidade total.

Destinação do hidrogênio

Quase 20% da produção será fornecida à fábrica de vidros da Cebrace, também em Jacareí. O restante atenderá empresas dos setores metalúrgico, químico e de alimentos, que somam 400 compradores de hidrogênio da White Martins.

Preços competitivos

Os contratos de hidrogênio verde estão sendo firmados pelos mesmos valores do hidrogênio cinza, produzido a partir de gás natural. Bastos afirma que a empresa não busca um prêmio pelo produto “verde” porque conseguiu reduzir custos ao ponto de competir diretamente com o hidrogênio tradicional.

Fatores que garantem a competitividade

Energia renovável própria

A White Martins utiliza energia solar e eólica produzida em parceria com a Eneva e a Serena, o que diminui significativamente o custo de produção. Esse modelo de autoprodução de energia renovável permite preços mais baixos para o hidrogênio verde.

Escala global da empresa

Como líder mundial em gases industriais, a companhia beneficia-se de economias de escala e de projetos de engenharia desenvolvidos internamente, reforçando a viabilidade econômica da planta.

Desafios e perspectivas para o futuro

A consultoria Thymos estima que o custo médio global de produção de um quilo de hidrogênio verde seja de US$ 7, sendo necessário reduzir esse preço em cerca de 50% para competir efetivamente com o hidrogênio cinza e o gás natural. Embora a planta de Jacareí seja a maior do Brasil, projetos no Nordeste ainda podem ser 10 a 20 vezes maiores e demandar até R$ 25 bilhões em investimentos.

“Uma fábrica de exportação é de 10 a 20 vezes maior que essa”, destacou Bastos, que acredita que, após o fim da guerra, os megaprojetos de hidrogênio verde voltarão ao radar político.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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