Mineração 4.0: a revolução industrial do setor
Drones, satélites, 5G, gestão de dados e veículos autônomos já estão na operação da Vale, Rio Tinto e BHP; para especialistas é a revolução industrial do setor. Crédito: Estadão
A S&P Global, uma das principais agências de classificação de risco de crédito no mundo, rebaixou a nota da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da CSN Mineração, nesta quarta-feira, 18, de ‘brAA-’ para ‘brA-’. Conforme o relatório, a mudança de posição ocorre por “alavancagem elevada (alto endividamento para operar); perspectiva negativa”.
Os ratings (classificações) da CSN estavam na listagem CreditWatch (em revisão) desde 13 de fevereiro.
No texto, a S&P Global projeta que a alavancagem da companhia permanecerá elevada em 2026-2027, com dívida líquida sobre Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) em torno de seis vezes no período. Os números refletem “o desempenho ainda pressionado das operações de siderurgia, em meio a um cenário de desaceleração econômica local e tensões geopolíticas externas”.

Disparada dos juros nos últimos anos é apontada como o gatilho para a deterioração financeira da CSN Foto: CSN/Divulgação
“Acreditamos que os elevados investimentos (capex) e a alta despesa financeira devem continuar limitando a redução do nível de endividamento da companhia”, afirma a classificadora de risco.
A S&P Global entende que uma desalavancagem relevante depende da materialização dos desinvestimentos anunciados. “A companhia também trabalha na estruturação de um novo empréstimo sindicalizado, que deve ampliar sua flexibilidade financeira e apoiar a execução de potenciais vendas de ativos”, acrescenta.
A classificadora de risco prevê que o índice de dívida líquida sobre Ebitda se mantenha acima de seis vezes pelo menos até o final de 2027, “com uma melhora operacional gradual, porém insuficiente para resultar em uma desalavancagem significativa”.
‘Do céu ao inferno’ em quatro anos
Quatro anos separam a situação financeira crítica do grupo CSN no final de 2025 daquele que a empresa, comandada pelo empresário Benjamin Steinbruch, considerou como um “ano histórico”, tanto pelos resultados operacionais e financeiros quanto pelo fortalecimento de todos os negócios do grupo.
A CSN encerrou 2021 com receita líquida de R$ 48 bilhões, Ebitda de R$ 22 bilhões e lucro líquido de R$ 13,6 bilhões. A alavancagem financeira era de 0,76 vez pelo critério de dívida líquida sobre o Ebitda. No caixa, a CSN dispunha de R$ 17,6 bilhões e dívida líquida era de R$ 17,8 bilhões.
Avaliações de interlocutores ouvidos pelo Estadão indicam que a CSN se endividou num momento de alta da taxa básica de juros do País, a Selic, que passou a subir em 2021, até atingir os níveis atuais de 15%. Isso atingiu em cheio o endividamento da companhia, que no último ano pagou cerca de R$ 7 bilhões em juros da dívida, consumindo grande parte da sua geração de caixa.
Os papéis da CSN teve uma grande deterioração desde o final de 2021. Quatro anos atrás a ação terminou negociada em R$ 24,99 e o ADR (recibo negociado na Bolsa de Nova York) em US$ 4,44. No final de 2025 fecharam a R$ 8,94 e US$ 1,60, respectivamente. O valor de mercado recuou a R$ 11,85 bilhões, um terço de antes.
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







