BRASÍLIA – A Controladoria-Geral da União (CGU) recebeu nesta quarta-feira, 10, a investigação feita pelo Banco Central contra dois servidores que teriam se envolvido no esquema do Banco Master. Agora, o órgão vai começar uma análise preliminar do material para definir se será aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que pode levar à expulsão de ambos do serviço público.

Em paralelo, um Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) pode ser aberto para responsabilizar o Master por ter corrompido servidores públicos. Nesse caso, o banco de Daniel Vorcaro pode ser obrigado a restituir os cofres públicos por prejuízos causados.

O ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio de Souza Neves e o ex-chefe de supervisão bancária Belline Santana são acusados pela Polícia Federal de atuar como “consultores informais” do Master dentro do Banco Central e de ter recebido vantagens indevidas para ajudar o banco a burlar a fiscalização do órgão.

O Estadão vem tentando contato com a defesa de ambos os acusados, e o espaço para manifestações segue aberto.

Os dois foram afastados dos cargos pelo próprio BC, em janeiro deste ano, mas continuam recebendo salários. De acordo com a lei que rege o serviço público, eles não podem ter prejuízos de remuneração até o final do processo.

Veja quanto ganham os servidores

Segundo o Portal da Transparência, Belline tem remuneração bruta de R$ 45.947,05 e mais R$ 1.175,00 de verba indenizatória. Já Paulo Sérgio possui vencimento bruto de R$ 38.929,20 e mais 1.175,00 de verba indenizatória. Ambos constam como servidores ativos do Banco Central.

O Banco Central finalizou a sua sindicância interna, tendo como base indícios de que houve um aumento patrimonial significativo de ambos os servidores. Esses dados agora foram repassados também para a CGU, órgão incumbido de analisar a pena de expulsão de ambos do serviço público. Todo o processo segue sob sigilo.

A primeira parte da análise pela CGU é a Investigação Preliminar Sumária (IPS), que pode levar até 180 dias. Caso os indícios de irregularidades sejam comprovados, o órgão abre o PAD, com mais 60 dias de prazo para conclusão do caso. Somente ao fim do processo ambos podem ser expulsos do serviço público.

Paulo Sérgio Neves de Souza é suspeito de ter vendido uma fazenda de café por R$ 3 milhões a um fundo de investimentos ligado ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel.

A descoberta do pagamento foi feita pelo próprio Banco Central, que repassou as informações à Polícia Federal. Esse foi um dos motivos para o afastamento do servidor, em janeiro deste ano, e também serviu de embasamento para a terceira fase da Operação Compliance Zero.

A transação teria ocorrido ainda em 2021, quando Neves de Souza era Diretor de Fiscalização – e ano em que o Master apresentou forte crescimento (veja linha do tempo do Estadão).

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
MRV&CO avança na saída dos EUA com piora do mercado, reduz time e vende R$ 858 milhões em projetos

MRV&CO avança na saída dos EUA com piora do mercado, reduz time e vende R$ 858 milhões em projetos

Cinco pontos que você precisa saber sobre aluguel de imóveis na reforma…
Paramount celebra compra da Warner por US$ 110 bi e detalha os planos da fusão entre gigantes

Paramount celebra compra da Warner por US$ 110 bi e detalha os planos da fusão entre gigantes

Como Trump está montando uma operação de controle da mídia nos EUA…
Leilão para venda da fatia bilionária da Oi na V.tal pode ser esvaziado

Leilão da fatia bilionária da Oi na V.tal pode dar branco: BTG Pactual se habilita mas credores querem trocar por dívida

Disputa pela participação de 27,5% na empresa de fibra ótica agita plano de recuperação da Oi com lance mínimo de R$ 12,3 bilhões
Da ascensão ao colapso em 6 anos: a linha do tempo do Banco Master e as reviravoltas do caso

Da ascensão ao colapso em 6 anos: a linha do tempo do Banco Master e as reviravoltas do caso

BRASÍLIA – O Banco Master teve uma ascensão meteórica desde que foi…