A dívida incluída no plano de recuperação extrajudicial da Raízen está concentrada principalmente em investidores do mercado de capitais e grandes bancos internacionais. Levantamento com base na relação de credores do plano, obtido pelo Estadão/Broadcast Agro, mostra que Bank of New York Mellon, bondholders e securitizadoras lideram o ranking dos principais credores do grupo, responsável por um passivo total de R$ 65,14 bilhões.

No topo da lista aparece o BNY Mellon, que atua como agente fiduciário (trustee) de seis séries de bonds internacionais emitidos pela Raízen Fuels Finance. Os títulos, com vencimentos entre 2032 e 2054, somam cerca de R$ 18,78 bilhões quando convertidos para reais pela PTAX de compra de 9 de março de 2026.

Em seguida figura um grupo ad hoc de bondholders, formado por investidores que detêm títulos da companhia e que aderiram ao plano, com cerca de R$ 7,49 bilhões em exposição. Juntos, os dois primeiros itens do ranking evidenciam o peso do financiamento via mercado internacional de capitais na estrutura de dívida da empresa.

Entre os instrumentos do mercado doméstico, destacam-se os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). As emissões estruturadas pela True Securitizadora somam aproximadamente R$ 6,43 bilhões, enquanto as debêntures incentivadas com Pentágono DTVM como agente fiduciário alcançam cerca de R$ 6,35 bilhões.

Na sequência aparecem instituições financeiras globais. O BNP Paribas tem cerca de R$ 3,06 bilhões em financiamentos vinculados a empréstimos com garantia da agência italiana de crédito à exportação SACE. O Rabobank tem exposição próxima de R$ 2,24 bilhões, enquanto o Bradesco aparece com aproximadamente R$ 2,08 bilhões em operações de crédito e CPR financeiras.

O ranking inclui, ainda, o Sumitomo Mitsui Banking Corporation (SMBC), com cerca de R$ 1,95 bilhão, e o Scotiabank, com aproximadamente R$ 1,59 bilhão em empréstimos.

Entre os demais credores relevantes figuram o Santander, com cerca de R$ 1,27 bilhão em crédito e pré-financiamentos de exportação; o Itaú BBA, com cerca de R$ 1,24 bilhão em CPR financeiras; o MUFG Bank, com aproximadamente R$ 1,18 bilhão; o BBVA, com cerca de R$ 1,05 bilhão; e o Banco do Brasil, com aproximadamente R$ 1,03 bilhão em exposição.

Também aparecem na lista instituições ligadas a garantias e securitizações, como a Santander Corretora, com cerca de R$ 978 milhões em avais relacionados à comercialização de energia elétrica, e a Opea Securitizadora, com aproximadamente R$ 906 milhões em CRA.

Outros credores incluem US Bank National Association, Bank of China, JPMorgan, HSBC, Citibank, Bank of America e Crédit Agricole, além de posições em derivativos com instituições como BNP Paribas Brasil, Morgan Stanley e Bank of America Merrill Lynch.

Os valores foram convertidos para reais utilizando a PTAX de compra de 9 de março de 2026, equivalente a R$ 5,2133 por dólar e R$ 6,0433 por euro, conforme indicado na relação de credores apresentada no plano.

Confira a lista dos 30 maiores credores da Raízen:

  1. Bank of New York Mellon – R$ 18,78 bilhões
  2. Grupo ad hoc de bondholders – R$ 7,49 bi
  3. True Securitizadora – R$ 6,43 bi
  4. Pentágono DTVM – R$ 6,35 bi
  5. BNP Paribas – R$ 3,06 bi
  6. Rabobank – R$ 2,24 bi
  7. Bradesco – R$ 2,08 bi
  8. SMBC – R$ 1,95 bi
  9. Scotiabank – R$ 1,59 bi
  10. Santander – R$ 1,27 bi
  11. Itaú BBA – R$ 1,24 bi
  12. MUFG – R$ 1,18 bi
  13. BBVA – R$ 1,05 bi
  14. Banco do Brasil – R$ 1,03 bi
  15. Santander Corretora – R$ 978 milhões
  16. Bank of America – R$ 912 mi
  17. Opea Securitizadora – R$ 906 mi
  18. US Bank National Association – R$ 902 mi
  19. Bank of China – R$ 795 mi
  20. JPMorgan – R$ 789 mi
  21. BNP Paribas Brasil – R$ 606 mi
  22. Morgan Stanley – R$ 584 mi
  23. HSBC – R$ 448 mi
  24. Citibank – R$ 433 mi
  25. Bank of America Merrill Lynch – R$ 389 mi
  26. Crédit Agricole CIB – R$ 271 mi
  27. XP Comercializadora – R$ 170 mi
  28. Itaú Unibanco (derivativos) – R$ 38 mi
  29. Citibank N.A. – R$ 33 mi
  30. Rabobank (derivativos) – R$ 11 mi

* Bank of New York Mellon e US Bank atuam como trustees das emissões de bonds e representam os investidores detentores dos títulos.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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