Cinco pontos que você precisa saber sobre aluguel de imóveis na reforma

Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, fala sobre as mudanças para os locatários e os aluguéis com a reforma tributária. Crédito: Jefferson Perleberg (Edição)

A piora do mercado residencial nos Estados Unidos forçou a MRV&CO a aprofundar o plano de reestruturação da Resia, subsidiária que constrói e aluga apartamentos residenciais no país. A companhia reiterou nesta terça-feira, 10, os planos para a venda de US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhões, em conversão direta) em terrenos e empreendimentos até o fim de 2026, conforme anunciado originalmente em dezembro de 2024. Desse total, US$ 167 milhões (R$ 858 milhões) já foram concluídos.

O grupo anunciou também a suspensão de novos projetos da Resia e apontou que outros ativos da empresa poderão ser rentabilizados um pouco mais para frente. Nessa lista, está a sua fábrica de pré-moldados, além de outros terrenos. Com isso, o futuro da Resia dentro da MRV&CO fica em aberto.

“Não é um modo ‘liquidação’. É um modo ‘desalavancagem’. No futuro, aí sim podemos fazer separação dos negócios, a atração de investidores e até mesmo a liquidação da Resia”, explicou o diretor financeiro e de relações com investidores da MRV&CO, Ricardo Paixão, em entrevista à imprensa.

A manutenção dos juros altos nos EUA por um período mais longo do que o previsto afetou a capacidade de investimentos da MRV&CO e diminuiu o apetite dos investidores na compra dos empreendimentos.

Além disso, a política anti-imigração do governo de Donald Trump espantou muitos estrangeiros que formavam a população local na região sul dos Estados Unidos e reduziu a demanda por moradias.

Outro fator que impactou os planos da companhia brasileira foi que cidades como Atlanta, Houston e Dallas receberam muitos empreendimentos das incorporadoras locais. O resultado foi um mercado com velocidade de locação e valores de aluguéis abaixo do projetado pela companhia brasileira.

Foi então que, em dezembro de 2024, a MRV&CO deu largada a um plano de venda de ativos da Resia. Na ocasião, o grupo anunciou uma diminuição na quantidade de novos projetos da subsidiária. O discurso oficial era de deixar o crescimento da Resia para um momento em que o mercado estivesse mais favorável nos Estados Unidos.

Nos meses seguintes, a família Menin — controladora da MRV e da Resia — disse que a locação residencial nos Estados Unidos permanecia um grande negócio, na sua avaliação, e que não iria abrir mão da subsidiária.

Mas como a comercialização dos ativos foi mais lenta do que o esperado, a família mudou de ideia. O copresidente da MRV&CO, Rafael Menin, disse que o grupo decidiu se concentrar na operação local, com foco na MRV e no Minha Casa, Minha Vida, que tem escala em todo o País. “Acreditamos na Resia, mas o momento é de garantir o foco no Brasil”, disse Menin, durante apresentação para investidores e analistas.

Portanto, o foco da Resia é estancar a dívida líquida, que chegou a US$ 695 milhões. A administração buscará também aprimorar o processo de locação e atuar de modo mais próximo aos grandes investidores, para tentar agilizar essas vendas.

“O foco é o derisking (redução do risco do negócio) da Resia”, ressaltou Matias Rotella, membro do conselho de administração da Resia e CEO da Menfis, holding da família Menin nos EUA. Rotella já atuou no mercado financeiro dentro do Goldman Sachs e foi contratado para ajudar na reestruturação da empresa.

Rotella relembrou que a companhia procura avançar na locação dos empreendimentos para, só depois, atrair os grandes compradores institucionais. Mas com o mercado difícil, a empresa tem buscado se aproximar desses investidores, com um relacionamento direto.

“Não conseguimos fazer no tempo que queríamos. Portanto, não conseguimos gerar o caixa esperado e desalavancar a companhia”, admitiu. Ele explicou que, se a locação dos apartamentos evoluir de modo consistente, a companhia poderá adiar a venda dos empreendimentos para buscar preços maiores. Caso isso não aconteça, as vendas serão encaminhadas com maior velocidade.

Sem novos projetos, houve corte de 164 para 85 no número de profissionais da Resia. O processo de enxugamento tende a continuar nos próximos meses.

Resultados

Segundo a mensagem da administração da empresa, o ano de 2025 marcou o fim do processo de reestruturação da MRV Incorporação, seu principal negócio.

A empresa chegou a receita operacional líquida de R$ 10,1 bilhões, salto de 20% em relação a 2024. O lucro líquido ajustado somou R$ 611 milhões, um crescimento expressivo ante aos R$ 274 milhões em 2024.

Porém, a história da Resia é diferente. A subsidiária reportou um prejuízo atribuído aos acionistas de US$ 242,7 milhões (R$ 1,24 bilhão). A MRV&CO diz apenas que segue executando o plano de desinvestimento e desalavancagem da Resia com a venda de ativos.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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