A economia brasileira enfrenta um desafio estrutural profundo que reflete diretamente em nossa balança comercial e no crescimento a longo prazo do país.

Novos dados revelam que a grande maioria das nossas vendas externas ainda depende de itens de baixo valor agregado, deixando a inovação em segundo plano.

Este cenário levanta alertas sobre a competitividade da indústria nacional e a necessidade urgente de novos investimentos, conforme divulgado pelo Estadão.

O peso das commodities e o desafio da inovação tecnológica no Brasil

Dados da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelam uma radiografia preocupante da inserção externa. Em 2024, 83% das receitas de exportação foram de commodities.

Enquanto os produtos agrícolas e minerais dominam, o segmento de alta densidade tecnológica não atingiu 3%. Essa realidade contrasta com o avanço da produtividade no campo.

Nos últimos 50 anos, a nossa produtividade agrícola triplicou, e o papel da pesquisa tecnológica conduzida pela Embrapa é considerado incontestável para esse sucesso histórico.

A lição da Coreia do Sul e a exportação de alto valor

Diferente do Brasil, a Coreia do Sul focou no desenvolvimento tecnológico e na engenharia de processos. O país investiu pesado na formação de mão de obra qualificada na indústria.

Atualmente, os coreanos lideram fronteiras como a inteligência artificial e computação quântica. Em 2025, 48% de suas vendas externas serão de produtos de alta tecnologia.

Na lógica coreana, a inovação só se valida quando conquista o mercado externo. Lá, apenas 5% das receitas vêm de commodities, um cenário oposto ao que vivemos hoje no Brasil.

Por que a pesquisa precisa sair das academias?

No Brasil, o investimento em ciência priorizou o âmbito acadêmico, muitas vezes desatrelado das necessidades do mercado e da engenharia de produtos competitivos globalmente.

Para haver inovação real em processos e produtos industriais, a empresa é o ator indispensável. Sem pesquisa aplicada, a sinergia entre governo e academia é meramente protocolar.

O futuro da Nova Indústria Brasileira

As missões da Nova Indústria Brasileira focam em setores como bioeconomia e mobilidade. Porém, as iniciativas podem falhar se apenas atraírem fábricas de produtos estrangeiros.

Se somos líderes em soja e café, por que não exportar também maquinário agrícola de ponta? O sucesso do agro não deve ser o limite, mas o motor para criar novas tecnologias.

Inovações que não atravessam fronteiras tendem a ser, na melhor hipótese, jabuticabas sem competitividade global, o que configura uma alocação ineficiente de recursos públicos.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria completa acessando: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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