A MSC, uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo, anunciou nesta segunda-feira, 9, que está suspendendo formalmente remessas de exportação para o Golfo Pérsico, devido à guerra no Oriente Médio.

“Em virtude da situação atual no Oriente Médio, a MSC lamenta informar que se vê obrigada a declarar o fim da viagem para todas as remessas atualmente sob sua custódia e responsabilidade, estejam elas em terra ou no mar, com destino a portos no Golfo Pérsico”, diz a empresa em comunicado.

“Todas as remessas em trânsito serão desviadas para o próximo porto seguro de descarga. Nesse local, a carga será descarregada e disponibilizada aos clientes para entrega e retirada locais”, continua o texto.

A MSC indica ainda que será aplicada uma sobretaxa obrigatória de US$ 800 por contêiner a todas as remessas afetadas, sem exceção, para cobrir os custos de desvio. Os clientes deverão entrar em contato com o escritório local da MSC para obter detalhes sobre o porto de descarga designado e confirmar as instruções para os procedimentos de recuperação local.

A MSC também deve ser procurada caso o cliente deseje que sua carga seja encaminhada para um destino alternativo, já que uma nova reserva de transporte deverá ser providenciada.

“A MSC lamenta profundamente a necessidade desta decisão, que decorre de circunstâncias excepcionais fora de seu controle, e agradece a sua compreensão e cooperação neste momento”, conclui a empresa.

A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou a preocupação sobre a navegação no Oriente Médio. Nesta segunda-feira, o chefe da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, afirmou que pelo menos sete marinheiros foram mortos perto do Estreito de Ormuz em ataques “recentes” a navios mercantes. O estreito liga o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã e é uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás natural.

Segundo Dominguez, vários outros marinheiros ficaram feridos, “alguns deles gravemente”. Ele não revelou quem estava por trás dos ataques e pediu que as empresas de navegação tenham “o máximo de cautela” na região. Ele disse que todas as partes devem respeitar a liberdade de navegação.

Também nesta segunda, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, criticou as iniciativas ocidentais para garantir a segurança no Estreito em meio à escalada militar no Oriente Médio. Em publicação no X, ele afirmou que é “improvável que qualquer segurança seja alcançada no Estreito de Ormuz sob o fogo da guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel na região”.

A declaração foi feita após o presidente da França, Emmanuel Macron, prometer reforçar a defesa de Chipre e anunciar uma iniciativa liderada por Paris para escoltar navios petroleiros e de gás com o objetivo de reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz após a fase mais intensa do conflito.

Anteriormente, o Irã chegou a anunciar na semana passada que fechou o Estreito de Ormuz. O país ameaçou incendiar qualquer navio que tentasse passar. Em seguida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha americana poderia escoltar petroleiros através de Ormuz “se fosse necessário”. / AFP

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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